terça-feira, 30 de novembro de 2010
Osesp com Tortelier
Maravilha a execução da Cavalgada Noturna e Nascer do Sol, op. 55, de Sibelius, pela Osesp, regida por Yan Tortelier, bem como do Concerto número 1 para piano em Mi menor, op. 11, de Chopin. A apresentação, gravada ao vivo, foi realizada em maio deste ano, na Sala São Paulo - ouvi recentemente no celular, pela Cultura FM. Ainda não tinha acompanhado nada da Osesp sob a batuta do regente francês, e fiquei aliviado de constatar que a excelência de John Neschling está sendo preservada.
Toy Story 3 - DVD
Compramos o DVD para o Gab. Já tínhamos assistido no cinema, mas em casa é diferente – o filme passa tanto que dá para decorar o roteiro, como foi o caso de 'Carros', e os dois primeiros 'Toys'. A verdade é a seguinte: o filme - que é uma das grandes fábulas modernas - é tão bom que quase não dá para enjoar, pelo menos não nas primeiras 10, 15 vezes...!*O roteiro, as usual, é de primeira e não tem falhas – trata-se de um belo e impecável blockbuster, que não dispensa a fórmula ação-emoção-trilha sonora para entreter e comover (alguns dirão manipular), mas faz isso com tanto talento e graça que só podemos agradecer. A sequência final é linda, tocante, um fecho à altura dessa trilogia antológica.
* sacrifício, mesmo, seria ter de assistir, repetida e indefinidamente, a Tropa de Elite 2, Cidade de Deus, Se Eu Fosse Você (1 e 2), Chico Xavier, Olga, Carandiru, 2 Filhos de Francisco e tantos outros sucessos brasileiros de bilheteria nesta década que está acabando.
* sacrifício, mesmo, seria ter de assistir, repetida e indefinidamente, a Tropa de Elite 2, Cidade de Deus, Se Eu Fosse Você (1 e 2), Chico Xavier, Olga, Carandiru, 2 Filhos de Francisco e tantos outros sucessos brasileiros de bilheteria nesta década que está acabando.
Jabuti
O prêmio Jabuti está na berlinda, no pior sentido do termo, e com justiça, porque a premiação é um queijo suíço de falhas, cartas marcadas e absurdos lógicos. Logo que comecei este blog, eu, que nunca simpatizei com o Jabuti, ao ler o genial Pornopopéia, de Reinaldo Moraes, e constatar que o livro não tinha sido classificado para a 'fase final' do prêmio, escrevi um post a respeito. Não deixo de estar feliz de saber que finalmente um grupo tenha se mobilizado para dizer que sim, o rei está nu, e sempre esteve. Segue link:
http://oluziada.blogspot.com/2010/02/pornopopeia.html
http://oluziada.blogspot.com/2010/02/pornopopeia.html
sábado, 27 de novembro de 2010
Made in Brasil
Incrível a quantidade de Bukowskis sem obra que existe no Brasil. E os Bukowskis com obra são ainda mais constrangedores. Que preguiça!
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Calvin
Houve uma fase (1987-88) em que gostei muito da tirinha Calvin & Haroldo, que era publicada no Caderno 2. Já estava na faculdade, mas recortava algumas para guardar - o álbum, para fotos, ainda está comigo. Logo depois perdi o interesse e praticamente não as li mais. Como a tira está completando 25 anos (mas durou só dez, acabou em 1995), me peguei lendo uma coletânea na internet. Agora, com um filho de quatro anos, as histórias de um garotinho e seu tigre de pelúcia fazem mais sentido do que nunca. Que trabalho incrível de Bill Watterson - se nunca ser piegas ou apelativo, ele criou histórias que fazem a gente rolar de rir ou até chorar.
Uma tira:
http://elcabron.sjdr.com.br/humor/tirinha-calvin-haroldo-4/
Uma tira:
http://elcabron.sjdr.com.br/humor/tirinha-calvin-haroldo-4/
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Viva a Itália!
Ultimamente tenho tido pouca paciência com Anthony Bourdain, especialmente a pose de bad boy cinqüentão que às vezes banca o palhaço mas que no fundo se acha. Mas o programa que ele fez sobre a Sardenha, exibido na última quarta, foi simplesmente memorável. Sem gracinhas e ciente da importância do lugar, Bourdain conseguiu mostrar um dos grandes trunfos da gastronomia italiana, que é a combinação mais que perfeita de sofisticação com despojamento, diversidade e abundância, além da habitual altíssima qualidade dos ingredientes. Não é que havia ‘o’ prato da região – havia dezenas deles, todos diferentes entre si, todos soberbos, feitos com ingredientes e receitas locais e sem afetação no preparo – o italiano só é blasé na hora de comer uma iguaria, porque não fica enaltecendo, é como se estivesse devorando uma pizza, o que é um charme.
O programa tinha um componente familiar, já que a atual mulher do apresentador é italiana, de Milão, mas seu pai nasceu e cresceu na Sardenha, uma cultura fascinante, que remonta a 4 mil anos de civilização. O roteiro fugiu obviamente do circuito dos jet setters da parte badalada da costa da ilha, preferindo percorrer o interior, e nos brindou com pratos inacreditáveis, mas que lá são comuns: carnes bovinas de vários tipos e cortes, javali, porco, aves, massas caseiras, cogumelos porcini, ricotas fresquíssimas, queijos, vinhos, peixes, ovas de tainha (bottarga) em pó, malloreddus (o nhoque sardo), crustáceos, frutos do mar, points incríveis de turismo rural (agriturismo), o preparo do famoso (e antiquíssimo) pão carasau, paisagens, enfim, um programa impecável. Deve reprisar no domingo à noite na Discovery Travel & Living, vale muito a pena.
O programa tinha um componente familiar, já que a atual mulher do apresentador é italiana, de Milão, mas seu pai nasceu e cresceu na Sardenha, uma cultura fascinante, que remonta a 4 mil anos de civilização. O roteiro fugiu obviamente do circuito dos jet setters da parte badalada da costa da ilha, preferindo percorrer o interior, e nos brindou com pratos inacreditáveis, mas que lá são comuns: carnes bovinas de vários tipos e cortes, javali, porco, aves, massas caseiras, cogumelos porcini, ricotas fresquíssimas, queijos, vinhos, peixes, ovas de tainha (bottarga) em pó, malloreddus (o nhoque sardo), crustáceos, frutos do mar, points incríveis de turismo rural (agriturismo), o preparo do famoso (e antiquíssimo) pão carasau, paisagens, enfim, um programa impecável. Deve reprisar no domingo à noite na Discovery Travel & Living, vale muito a pena.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Extras, Raquel e Wagner
Zapeando pela madrugada uns dias atrás, me chamou a atenção o que passava no Canal Brasil - uma longa cena com figurantes - a maioria da terceira idade - em atuação perfeita. Sentados em cadeiras improvisadas, eles interpretavam uma platéia entediada, a espera de algum evento importante, que no entanto acontecia num salão pequeno demais para a ocasião. Os leques mostravam que fazia muito calor, ainda num tempo em que o ar refrigerado não devia ser muito comum. Fotógrafos cabeludos iam e vinham em busca de um bom lugar. O figurino cafona daquele círculo de pessoas também impecável. O registro parecia documental, de tão bem feito, tão diferente da grande maioria dos filmes nacionais, que padecem desse mal (má atuação de extras) até hoje.
O problema é que era tudo real mesmo, claro! Trata-se de um filmete produzido pela falecida Embrafilme, sobre a posse de Raquel de Queiroz na Academia Brasileira de Letras, no Rio, em 1978 - a primeira mulher a merecer a honraria. Ainda não foi desta vez!
PS: aliás, vejo que, coincidentemente, a grande escritora cearense estaria completando 100 anos exatamente neste 17 de novembro.
PS2: a música de fundo, apesar de maravilhosa, não poderia ter sido mais mal escolhida: o tema principal de 'As Valquírias', de Richard Wagner. Hilário, hilário! Dá-lhe Embrafilme (que merecerá um post especial).
Link "As Valquírias", com regência do grande Furtwangler (Filarmônica de Viena): http://www.youtube.com/watch?v=V92OBNsQgxU
O problema é que era tudo real mesmo, claro! Trata-se de um filmete produzido pela falecida Embrafilme, sobre a posse de Raquel de Queiroz na Academia Brasileira de Letras, no Rio, em 1978 - a primeira mulher a merecer a honraria. Ainda não foi desta vez!
PS: aliás, vejo que, coincidentemente, a grande escritora cearense estaria completando 100 anos exatamente neste 17 de novembro.
PS2: a música de fundo, apesar de maravilhosa, não poderia ter sido mais mal escolhida: o tema principal de 'As Valquírias', de Richard Wagner. Hilário, hilário! Dá-lhe Embrafilme (que merecerá um post especial).
Link "As Valquírias", com regência do grande Furtwangler (Filarmônica de Viena): http://www.youtube.com/watch?v=V92OBNsQgxU
Xiiiiiii....
Leio com espanto, na Bravo, deste mês, que a canção 'She´s Leaving Home' teria sido "talvez a maior obra-prima dos Beatles". Que disparate! Aquelas cordas excessivas sequer foram assinadas pelo grande George Martin, que no livro (que possuo) que escreveu sobre o disco Sgt. Pepper, afirma categoricamente que não pôde trabalhar naquela canção porque Paul teve um ataque de estrelismo (Paul, e não John, era a verdadeira vedete da banda), e se recusou esperar apenas algumas horas pelo arranjador, que estava ocupado em outro trabalho da EMI - os Beatles eram o foco principal de Martin, mas não o único na gravadora inglesa. Paul usou um outro arranjador, e deu no que deu. Enfim, o excesso de violinos e celos tornou a canção melosa, e é um dos motivos por eu não curtir muito Sgt. Pepper. E cá entre nós, mesmo sem tanto violino, esta canção já nasce over, meio apelativa e envelheceu pior - ao contrário de tantas outras dos Fab Four. Paul é um compositor extraordinário, autor de inúmeros clássicos dos Beatles (Things We Sad Today, Eleanor Rugby, For No One, Lady Madonna, Martha My Dear*, Let It Be, The End etc. e etc.) mas quando errava, diferente de John, errava feio, porque tinha uma certa queda por letras e arranjos meio cafonas e/ou piegas (Ob-La-Di, Ob-La-Da, When I'm Sixty four, The Long and Winding Road, She´s Leaving Home, The Fool On The Hill, entre outras ). Mas também compôs as mais pesadas e swingadas Got to Get You Into My Life, Hellter Skelter, I've Got a Feeling, Get Back, Oh! Darling, She Came in Through the Bathroom Window etc. todas obras-primas do rock - a vida não é simples.
Mas voltando ao tema deste post, poderia ser mera questão de gosto, mas não é - afirmar que 'She´s Leaving Home' é uma das maiores canções dos Beatles é não entender, é desconhecer o que essa banda maravilhosa fez pela música pop. E fez tanta coisa!
* É meio cafona também, mas adoro!
Mas voltando ao tema deste post, poderia ser mera questão de gosto, mas não é - afirmar que 'She´s Leaving Home' é uma das maiores canções dos Beatles é não entender, é desconhecer o que essa banda maravilhosa fez pela música pop. E fez tanta coisa!
* É meio cafona também, mas adoro!
O Levante
De vez em quando consigo avançar no catatau 'O Levante de 44' - A Batalha por Varsóvia, um belo (e recente, de 2007) catatau do historiador inglês Norman Davies sobre a brava tentativa dos poloneses de se livrar dos nazistas já no final da guerra, e de que como essa luta se mostrou infrutífera por total falta de apoio e/ou sabotagem dos aliados - russos e ocidentais. Mas o livro é muito mais que a minuciosa descrição dos bastidores do levante - mostra uma painel de uma das ocupações mais sangrentas, implacáveis, devastadoras e letais da história da humanidade, que foram os quase seis anos de ocupação da Alemanha nazista na Polônia, que durou praticamente toda a Segunda Guerra - 1939-45.
PS: o filme 'O Pianista', de que nem gosto tanto (falado em inglês etc), tem duas ou três cenas extraordinárias. Uma delas é a que nos mostra, de surpresa, um longo plano da Varsóvia já em ruínas, uma visão aterrorizante do que os nazistas eram capazes de fazer. Foi uma das punições de Hitller pela ousadia da rebelião - incendiar literalmente cada rua da cidade, ordem que praticamente foi levada a cabo.
PS: o filme 'O Pianista', de que nem gosto tanto (falado em inglês etc), tem duas ou três cenas extraordinárias. Uma delas é a que nos mostra, de surpresa, um longo plano da Varsóvia já em ruínas, uma visão aterrorizante do que os nazistas eram capazes de fazer. Foi uma das punições de Hitller pela ousadia da rebelião - incendiar literalmente cada rua da cidade, ordem que praticamente foi levada a cabo.
Por um futebol menos jeca
Constato que a rivalidade de vida ou morte que existe entre Inter e Grêmio parece que contaminou definitivamente o país. Uma pena, porque não era assim, aliás nunca foi. Acho de uma tacanhice medonha. Não que as rivalidades em si não sejam legais - elas são até fundamentais no futebol, mas tudo tem limite, e o que acontece no Sul é um tipo de fanatismo que me parece exagerado, provinciano. Um Fla-Flu, um Corinthians e Palmeiras, Cruzeiro e Atlético, Ba-Vi e tantos outros derbys e/ou clássicos possuem uma grandeza que nunca precisou desses ingredientes de capa e espada. Pelo contrário - as rivalidades vão sendo construídas ao longo do tempo, e acima de tudo, pela arte da sutileza.
Tudo isso para dizer que tanto o São Paulo como o Palmeiras estão no caminho do Fluminense nessas rodadas finais do Brasileirão. Os jogos acontecem em SP, o que deveria ser um dificultador a mais para o Flu, mas já há uma forte pressão da torcida para que seus times 'amoleçam' para os cariocas. Isso não condiz com a história de decência e honradez desses dois clubes tão vitoriosos, mas se o próprio Corinthians deu o mal exemplo no Estado no ano passado (amoleceu contra o Flamengo, e prejudicou o SP)... Agora é esperar para ver, mas não estou muito otimista.
Tudo isso para dizer que tanto o São Paulo como o Palmeiras estão no caminho do Fluminense nessas rodadas finais do Brasileirão. Os jogos acontecem em SP, o que deveria ser um dificultador a mais para o Flu, mas já há uma forte pressão da torcida para que seus times 'amoleçam' para os cariocas. Isso não condiz com a história de decência e honradez desses dois clubes tão vitoriosos, mas se o próprio Corinthians deu o mal exemplo no Estado no ano passado (amoleceu contra o Flamengo, e prejudicou o SP)... Agora é esperar para ver, mas não estou muito otimista.
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