quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mozart Camargo Guarnieri

A sinfonia nº 3, regida por John Neschling/Osesp, é impressionante. Guarnieri é provavelmente o maior sinfonista brasileiro de todos os tempos - mais do que isso, foi um grande compositor de seu tempo, mesmo com um prenome desta magnitude! Pena eu não ter conseguido nenhum link completo da obra.

Campanha

Lamentável o uso político do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). De novo, em artigo publicado na seção Tendências e Debates, da Folha, o manda-chuva do instituto, Marcio Pochmann, ataca o que seria uma gritante desigualdade no Estado de São Paulo, sem contextualizá-la, mostrando uma visão simplificadora e demagógica da realidade, e utilizando um tom ao mesmo tempo inquisitorial e debochado - algo que não condiz com o cargo que ocupa. Na verdade, trata-se de uma réplica ao artigo em que Manuelito P. Magalhães Júnior (que Pochmann chama de M. Magalhães Jr.), presidente da Emplasa - Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S/A - respondia a um artigo de Pochmann, que já usava o mesmo tom para criticar o governo paulista. O fato de ser ano eleitoral torna a situação ainda mais constrangedora. Na prática, Manuelito derrubou todos os argumentos do atual presidente do Ipea, que usou o nobre espaço da Folha apenas para fazer política partidária, em nome de uma instituição que nem o regime militar ousou interferir politicamente, mas o PT, sim - aguardemos pela publicação da tréplica do presidente da Emplasa. Seguem os links disponíveis (em ordem cronológica) no ótimo Conteúdo Livre - http://sergyovitro.blogspot.com/ -, site que reúne artigos de toda a imprensa brasileira, mesmo para não assinantes.

http://sergyovitro.blogspot.com/2010/06/tendenciasdebates-para-onde-vai-sao.html (15/06/2010)

http://sergyovitro.blogspot.com/2010/07/sao-paulo-nao-se-acomoda.html (26/7)

http://sergyovitro.blogspot.com/2010/08/marcio-pochmann-sao-paulo-desigual.html (18/08)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Apolíticos

Espero estar enganado, mas parece que o Brasil está entrando numa fase em que a escolha da chefia máxima do governo se tornou uma mera formalidade - o detentor do cargo define o seu "substituto", a portas fechadas, e a maioria da população, mesmo sem conhecer minimamente o personagem, referenda a indicação, nas urnas. Teríamos voltado aos piores momentos da República velha, em pleno século 21? Ou será a ressurreição do velho PRI mexicano?

Questão de escala

Gilberto Freyre se dizia um autêntico gênio brasileiro. Tendo a concordar, com a ressalva de que, se for mesmo assim, a quantidade de gênios já nascidos na Alemanha, por exemplo, deve alcançar quatro dígitos, pelo menos. Uma enormidade!

Insight

Você percebe que está ficando velho quando se dá conta de que seus pais eram mais novos (às vezes bem mais novos) do que você é hoje, em vários acontecimentos marcantes de sua infância e adolescência .

Beethoven - imitação de gênio

O primeiro movimento do concerto para piano nº 3, em Dó menor, de Beethoven, poderia ser, tranqüilamente, uma magnífica abertura do nº 28, de Mozart - que obviamente nunca foi composto, já que ele "só" chegou ao 27. É uma espécie de imitação, sim, porque, diferente da primeira sinfonia de Brahms* - que merece ser considerada a "décima" de Beethoven -, esteticamente não se dá um passo adiante. Mas só o fato de que a obra poderia, hipoteticamente, estar entre os melhores trabalhos da última e tão especial fase de Mozart, já é um grande feito, coisa de gênio. Como sabemos que não é o caso, falta a originalidade que Beethoven, ao menos em relação aos concertos para piano, só encontraria (não muito tempo) depois.


* Também a favor de Brahms, conta o fato de ter chegado tão longe logo em sua primeira sinfonia, enquanto Beethoven, já no terceiro concerto para piano, ainda não tinha alçado vôo próprio. Porém, há uma possível explicação: Brahms se lançou na empreitada de compor sua primeira sinfonia apenas na maturidade dos 40 e poucos anos, enquanto Beethoven, mesmo no concerto nº 3, ainda não tinha chegado aos 30 (a obra foi composta em 1800).

PS: há quem diga que a "verdadeira" 10ª de Beethoven é a segunda de Mahler... Ainda quero voltar ao assunto, que é fascinante.

Ouça com Nelson Freire ao piano e regência de Roberto Tibiriçá:

http://www.youtube.com/watch?v=b4cROUKAQSc (1º Mov. - primeira parte)
http://www.youtube.com/watch?v=j0IA6UUxk0Q (2 Mov. - segunda parte parte)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

R.E.M - Imitation Of Life

Semprei achei brega qualquer tentativa de vídeoclipe, mas sempre há exceções, como é o caso aqui. http://www.youtube.com/watch?v=_pd0Qq_kRU4
De qualquer forma, a canção é linda e nem precisaria dele.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Antiqua

O programa “Volta ao Mundo em 80 Tesouros” (2005), da BBC, é muito bom - por sorte, consegui ver alguns episódios na TV Cultura (parece que o canal Futura também o exibiu). O apresentador, Dan Cruickshank, figuraça, é historiador e arquiteto, e está muito à vontade na função de repórter – com charme e erudição, mostra um grande painel das obras-primas da Antiguidade. As seqüências no Egito (não sabia que os sarcófagos podiam ser tão coloridos), Ásia Menor (Rota da Seda, Bukhara, ruínas de Persépolis) e Norte da África (ruínas de Leptis Magna, na Líbia) são espetaculares.

Divagação

Mesmo com a chatice dos aeroportos (mas tem quem goste deles), o ato de viajar, se possível para bem longe (como preferia Baudelaire) continua a ser uma experiência nada banal. E acho que será assim até que possamos todos nos locomover, por conta própria, a velocidades bem maiores, talvez próximas à da luz – trabalhar em Xangai e dormir em casa, no Brasil etc. Se isso acontecer em até não muito tempo (250, 300 anos), as línguas tenderão a se fundir numa salada em que estruturas do inglês e mandarim - já bem modificados pela ação do tempo - devem se sobressair, por serem as mais faladas. As culturas também sofrerão uma fusão radical, só que bem mais difícil de imaginar - ainda estamos nos primórdios da humanidade.

Friar Park

O documentário Anthology (1995, cinco DVDs), sobre os Beatles, é muito bom, mas destaco aqui duas cenas memoráveis. Na primeira, um bem humorado Paul Mccartney - fazendo graça respeitosa com o grande Sinatra - dá entrevista enquanto pilota um iate, parecendo muito feliz com a sensação de privacidade que o isolamento no mar propicia. Talvez só mesmo assim para um beatle se sentir à vontade ao ar livre. A outra cena reúne os três beatles remanescentes num cantinho do lindo jardim da mansão/castelo Friar Park, que George comprou em 1970, nos arredores de Londres (e apelidou de "Crackerbox Palace").  Eles decidem tocar o clássico (do ragtime?) "Aint She Sweet", com George num tipo de banjo, Paul acho que só no vocal, e Ringo marcando o ritmo com as mãos. Antes e depois da canção, conversam sobre os velhos tempos, falam de John, do afastamento mútuo etc. – Ringo está visivelmente emocionado, e mesmo Paul e George, que faziam um pouco a linha cínica adotada por John para lidar com a fama, vão se rendendo aos poucos à beleza do momento. Tudo acontece com muita naturalidade - é autêntico mesmo. Só isso valeria toda a coleção.