quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Louco Por Você

É uma bela canção de Caetano, não muito conhecida, do disco Cinema Transcendental (1979). Acho que contribuiu muito para isso o fato de ela ser exageradamente longa - é cantada inteira umas cinco ou seis vezes, um exagero. Há um bonito solo de teclado no meio das repetições, e outro, de guitarra e baixo, meio dispensável. Enfim, a canção poderia perder uns três minutos (tem mais de sete), sem prejuízo nenhum, pelo contrário. O vocal de Caetano, principalmente nos graves, como foi uma tônica no disco, soa descuidado. Segue link youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=JYcFW2qs9L4

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Campeonato Brasileiro 2010 - mais um dramin necessário

Engraçado os comentaristas que se crêem tão racionais colocar em dúvida a marmelada que aconteceu em alguns jogos fundamentais nesta reta final de Brasileirão. Qual é a deles, afinal? Medo de processos, de ficar mal com alguns jogadores e/ou dirigentes poderosos? Com exceção de Juca Kfouri e do sempre ótimo e incisivo Luís Quartarollo, praticamente nenhum outro teve a coragem de dizer com todas as letras o que todo mundo que acompanha futebol no Brasil viu: que São Paulo e Palmeiras entregaram descaradamente seus jogos contra o Fluminense, para prejudicar o Corinthians. É fato. E a hipocrisia nas declarações de Felipão, Carpegiani e de certos jogadores, antes e depois dos jogos, foi de lascar - nem sei se hipocrisia seria a melhor palavra, porque eles não estavam propriamente dissimulando, mas encenando, fingindo, mentindo, como se todos fôssemos idiotas.

No ano passado, o Corinthians, por sua vez, para dificultar as coisas para São Paulo e, principalmente, Internacional (já que este havia entregado para o Goiás, em 2007, rebaixando o time paulista) fez o mesmo, no jogo contra o Flamengo. Lamentável. Mas agora, pela feitura da tabela, deu azar e levou o troco em dobro, porque são dois jogos ou seis pontos dados de graça a um mesmo concorrente direto, o que, faltando apenas uma rodada, praticamente o tira da briga pelo título.

Também acho estranho que a crônica esportiva insista em acusar o Corinthians de “não ter feito a parte dele”. O que seria isso? Ganhar todos os jogos desde o início, aproveitamento de 100%? Manter uma vantagem estratégica de seis ou sete pontos em relação ao Fluminense, já prevendo a entrega dos rivais nas últimas rodadas? Na prática, o empate do Corinthians com o Vitória, na Bahia, foi normal, até um bom resultado - anormal foi o Fluminense ganhar seus dois jogos fora de casa contra dois grandes de São Paulo com tanta facilidade. Não que a boa equipe de Muricy não pudesse vencer esses dois confrontos, mas a tendência seria que, num ótimo cenário, o time carioca somasse quatro pontos (uma vitória e um empate). Já estaria bom demais, mas isso ainda daria ao Corinthians a oportunidade de depender só de si na última rodada, portanto... Não bastava um ou outro rival (inimigo?) facilitar, mas ambos, o que acabou acontecendo. Ridículo!

Realmente, é nessas horas que o brasileiro mostra que ainda acredita no vale-tudo, no levar vantagem a qualquer preço etc., porque no fundo os clubes estão atendendo um pedido, uma exigência de grande parte de suas torcidas. Não deveriam ceder - a honra de um clube deveria ser sempre inegociável - mas cedem. Dá vontade de desistir de acompanhar futebol, mas é um vício arraigado demais em mim. Mas vou me esforçar.

PS: a pretexto de livrar a cara de Palmeiras e São Paulo, alguns colunistas "isentos" enfatizaram as boas exibições dos goleiros Ceni e Deola nos jogos contra o Flu. Ora bolas! O gol tem mais de sete metros de largura, portanto os goleiros, que são mais visados, mesmo num jogo de compadres, estão 'liberados' para tentar defender tudo o que puderem, para não se comprometer. Mas se ao longo de 90 minutos o resto do time não se esforça para impedir o gol do adversário, que ao contrário, precisa e busca a vitória a todo custo, é claro que, em algum momento, ele sairá. Ceni levou quatro, Deola apenas dois - mas foi a conta. Não é por aí - é só a hipocrisia tentando soar verossímil.

PS2: segue link do post que escrevi sobre o amolecimento do Corinthians contra o Mengo no final do ano passado, logo no comecinho deste blog.
http://oluziada.blogspot.com/2009/12/fut.html

Beatles - a real dimensão

Os Beatles foram causa e efeito de grandes mudanças ensejadas no pós-guerra. Não é pouca coisa, claro, mas pensando com os olhos confortáveis do presente, uma cena musical mais focada nos jovens acabaria por ser inevitável, com ou sem eles. O fato é que o destino quis que fosse a banda de John Lennon a pioneira daqueles novos tempos - ao diluir com imenso talento o rock 'n' roll criado na América, os Beatles praticamente inventaram a música pop. A história costuma se mover assim, em pequenos solavancos. Mas às vezes alguns gênios, de tão importantes, conseguem ‘apressar’ a história, como aconteceu com Newton, Einstein, Galileu, Bach, Monteverdi, Leonardo e não muitos outros. Claro que não foi o caso dos Fab Four.

Chaplin mudo e o swing - swing?

É muito boa a iniciativa da TV Cultura de exibir a fase muda de Charles Chaplin, boa parte composta de curtas-metragens geniais que o grande londrino, ainda bem jovem, já produzia em Hollywood, nos anos 10 – Mas tem um problema: não sei por que, a casa decidiu “musicar” os filmes, e pior, com um gênero musical que só seria desenvolvido posteriormente. Por isso, dá-lhe swing jazz (anos 30), nada a ver. Sabemos que cabia às salas de cinema da época contratar os pianistas que faziam o som ao vivo (geralmente com improvisos, mas às vezes executando partituras compostas especialmente para os filmes).
A solução poderia ser exatamente essa – gravações da época, que tenham sobrevivido, ou até uma adaptação, com pianistas contratados. De qualquer forma, foi maravilhoso poder ver, por exemplo, Chaplin interpretando “O Vagabundo” (1914), e assim dando os primeiros passos na criação de imortal Carlitos.

Osesp com Tortelier

Maravilha a execução da Cavalgada Noturna e Nascer do Sol, op. 55, de Sibelius, pela Osesp, regida por Yan Tortelier, bem como do Concerto número 1 para piano em Mi menor, op. 11, de Chopin. A apresentação, gravada ao vivo, foi realizada em maio deste ano, na Sala São Paulo - ouvi recentemente no celular, pela Cultura FM. Ainda não tinha acompanhado nada da Osesp sob a batuta do regente francês, e fiquei aliviado de constatar que a excelência de John Neschling está sendo preservada.

Toy Story 3 - DVD

Compramos o DVD para o Gab. Já tínhamos assistido no cinema, mas em casa é diferente – o filme passa tanto que dá para decorar o roteiro, como foi o caso de 'Carros', e os dois primeiros 'Toys'. A verdade é a seguinte: o filme - que é uma das grandes fábulas modernas - é tão bom que quase não dá para enjoar, pelo menos não nas primeiras 10, 15 vezes...!*O roteiro, as usual, é de primeira e não tem falhas – trata-se de um belo e impecável blockbuster, que não dispensa a fórmula ação-emoção-trilha sonora para entreter e comover (alguns dirão manipular), mas faz isso com tanto talento e graça que só podemos agradecer. A sequência final é linda, tocante, um fecho à altura dessa trilogia antológica.

* sacrifício, mesmo, seria ter de assistir, repetida e indefinidamente, a Tropa de Elite 2, Cidade de Deus, Se Eu Fosse Você (1 e 2),  Chico Xavier, Olga, Carandiru, 2 Filhos de Francisco e tantos outros sucessos brasileiros de bilheteria nesta década que está acabando.

Jabuti

O prêmio Jabuti está na berlinda, no pior sentido do termo, e com justiça, porque a premiação é um queijo suíço de falhas, cartas marcadas e absurdos lógicos. Logo que comecei este blog, eu, que nunca simpatizei com o Jabuti, ao ler o genial Pornopopéia, de Reinaldo Moraes, e constatar que o livro não tinha sido classificado para a 'fase final' do prêmio, escrevi um post a respeito. Não deixo de estar feliz de saber que finalmente um grupo tenha se mobilizado para dizer que sim, o rei está nu, e sempre esteve. Segue link:

http://oluziada.blogspot.com/2010/02/pornopopeia.html

sábado, 27 de novembro de 2010

Made in Brasil

Incrível a quantidade de Bukowskis sem obra que existe no Brasil. E os Bukowskis com obra são ainda mais constrangedores. Que preguiça!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Calvin

Houve uma fase (1987-88) em que gostei muito da tirinha Calvin & Haroldo, que era publicada no Caderno 2. Já estava na faculdade, mas recortava algumas para guardar - o álbum, para fotos, ainda está comigo. Logo depois perdi o interesse e praticamente não as li mais. Como a tira está completando 25 anos (mas durou só dez, acabou em 1995), me peguei lendo uma coletânea na internet. Agora, com um filho de quatro anos, as histórias de um garotinho e seu tigre de pelúcia fazem mais sentido do que nunca. Que trabalho incrível de Bill Watterson - se nunca ser piegas ou apelativo, ele criou histórias que fazem a gente rolar de rir ou até chorar.

Uma tira:
http://elcabron.sjdr.com.br/humor/tirinha-calvin-haroldo-4/

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Viva a Itália!

Ultimamente tenho tido pouca paciência com Anthony Bourdain, especialmente a pose de bad boy cinqüentão que às vezes banca o palhaço mas que no fundo se acha. Mas o programa que ele fez sobre a Sardenha, exibido na última quarta, foi simplesmente memorável. Sem gracinhas e ciente da importância do lugar, Bourdain conseguiu mostrar um dos grandes trunfos da gastronomia italiana, que é a combinação mais que perfeita de sofisticação com despojamento, diversidade e abundância, além da habitual altíssima qualidade dos ingredientes. Não é que havia ‘o’ prato da região – havia dezenas deles, todos diferentes entre si, todos soberbos, feitos com ingredientes e receitas locais e sem afetação no preparo – o italiano só é blasé na hora de comer uma iguaria, porque não fica enaltecendo, é como se estivesse devorando uma pizza, o que é um charme.

O programa tinha um componente familiar, já que a atual mulher do apresentador é italiana, de Milão, mas seu pai nasceu e cresceu na Sardenha, uma cultura fascinante, que remonta a 4 mil anos de civilização. O roteiro fugiu obviamente do circuito dos jet setters da parte badalada da costa da ilha, preferindo percorrer o interior, e nos brindou com pratos inacreditáveis, mas que lá são comuns: carnes bovinas de vários tipos e cortes, javali, porco, aves, massas caseiras, cogumelos porcini, ricotas fresquíssimas, queijos, vinhos, peixes, ovas de tainha (bottarga) em pó, malloreddus (o nhoque sardo), crustáceos, frutos do mar, points incríveis de turismo rural (agriturismo), o preparo do famoso (e antiquíssimo) pão carasau, paisagens, enfim, um programa impecável. Deve reprisar no domingo à noite na Discovery Travel & Living, vale muito a pena.