segunda-feira, 6 de junho de 2011

Nada Além (1937) - Mais intervalos de quarta

De Custódio Mesquita e Mário Lago.Tem dois belos intervalos de quarta. "Nada além de uma ilu-são". E também: "Mentindo sempre-diz". Esta canção é uma obra-prima da época de ouro da MPB. Segue versão original (um foxe, com o grande Orlando Silva) e a letra completa.

http://www.youtube.com/watch?v=_358PNNVDDc

Nada além
Nada além de uma ilusão
Chega bem
É demais para o meu coração

Acreditando em tudo que o amor
Mentindo sempre diz
Eu vou vivendo assim feliz
Na ilusão de ser feliz

Se o amor
Só nos causa sofrimento e dor
É melhor, bem melhor
A ilusão do amor

Eu não quero e nem peço
Para o meu coração

Nada além
De uma linda ilusão...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A mão que afaga é a mesma que... (ler post anterior)

Agora, no mesmo Canal Brasil, possivelmente um dos piores filmes já feitos: Sonho de Valsa (1987), de Ana Carolina. Xuxa Lopes faz o que pode, mas os diálogos são horríveis demais, a história, o roteiro, a direção de atores, idem, idem, idem, etc. etc. nesta pseudo-reflexão da alma feminina. E o grande Ney Matogrosso devia usar sua influência, à la Xuxa, para tentar impedir a exibição desse desastre. Ele está simplesmente ridículo como um dos protagonistas!

Jóia

O Canal Brasil está exibindo um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, e falo sério: "Histórias que as Nossas Babás não Contavam" (1979), direção de Oswaldo de Oliveira (que fez a fotografia de " O Caso dos irmãos Naves", do grande Person), com a deusa Adele Fátima, nossa Scarlett esquecida.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Dois livros

De Edgar Morin. 'Vidal e os Seus' (1989) e 'Meu Caminho'- entrevistas com Djénane Kareh Tager. No primeiro, o grande intelectual e humanista francês conta a história do seu pai, na terceira pessoa. Genial e tocante. O segundo livro, não menos sensacional (e vale a pena ler nesta sequência) é uma longa conversa dele com a jornalista Djénane, realizada ao longo de 2008. Em julho o pensador faz 90 anos, na ativa, como sempre.

Cinema Olympia (1969)

Nunca fui um grande fã de Elis Regina, principalmente pela escolha de repertório da grande cantora. Mas adoro ouvi-la nesta canção de Caetano (pré-exílio), gravada pela primeira vez por Gal Costa.

http://www.youtube.com/watch?v=FJdwwWXB0Io

O Mestre-Sala dos Mares (1973): mais um intervalo de quarta

É quase uma obsessão minha, identificar esses intervalos bem construídos em canções de qualquer gênero ou estilo. Me lembrei de mais este, da dupla João Bosco/Aldir Blanc, que homenageia a ‘Revolta da Chibata’. A letra de Aldir, tipo samba-enredo histórico, não me soa bem, mas a melodia de Bosco, riquíssima, é extraordinária, repleta de temas, sub-temas e refrões que se sucedem, assumindo inclusive mudanças de andamento. O intervalo de quarta a que me refiro (e tão mais raro por iniciar [e encerrar] a frase musical) - “Gló-ria a todas as lutas ingló-rias” -, é notável, soando tão natural, e musicalmente, para uma canção popular, é tudo menos isso.




Segue link com Elis Regina cantando ao vivo, na inauguração do Teatro Bandeirantes, 1974. http://www.youtube.com/watch?v=n6-i_XQsxCE

sábado, 7 de maio de 2011

Punk da Periferia (1983)

Gil, de novo. Aliterações de primeira classe na primeira estrofe. Sarcasmo ainda hoje não digerido dos simulacros que eram os punks de SP da época (e até hoje). Bom!

Reggae palatável

Gil, A Raça Humana (1984).

 http://www.youtube.com/watch?v=oS0STOGnaW4&playnext=1&list=PL748D13FE1C68839E

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Zico

Zico foi provavelmente o melhor jogador do mundo no período 1979-83, mas, infelizmente, não teve o reconhecimento que merecia. Ainda hoje não tem, por incrível que pareça, mesmo que tenha sido um dos maiores jogadores de futebol que já surgiram. Na época, Maradona (exceto em 79, em que fez uma temporada exuberante, aos 18 para 19 anos) era imaturo e viva machucado. Platini, Falcão e Sócrates eram extraordinários, mas ficavam aquém do Galinho. Rummeniggue era um atacante brilhante, decisivo, mas sem um décimo dos recursos e do repertório de Zico, um jogador completo, que possuía a raríssima qualidade de ser um mestre tanto da armação como da conclusão das jogadas. Messi segue esse caminho, hoje. Maradona, não – era muito mais um armador, e não tinha a velocidade e o arranque necessários para concluir na intensidade dos grandes artilheiros (Zico fez mais de 700 gols e, literalmente, milhares de assistências), ainda que fosse um gênio. Pelé, lógico, sim, a própria perfeição, principalmente no período 1958-65. Cruijff, em parte, e por pouco tempo. Antes, Zizinho e Di Stéfano. Zico.

 PS: O Flamengo de 82 é bastante superior ao Barcelona de hoje. O Barça é ótimo, os estilos são parecidos (nem tanto: o toque de bola do Fla era mais objetivo e incisivo, sem tantos passes laterais), mas os jogadores do Mengo, acima de tudo, eram individualmente melhores, não dá para comparar. E o pior é que comparam, mesmo os que, como eu, tiveram o privilégio de assistir a verdadeiros shows de futebol-arte que Zico e Cia ofereciam, a preço de custo, nos estádios, e de graça, na TV. Foi o Santos do meu tempo.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ronaldo comentarista e outro fenômeno

Se fosse efetivado, seria, de longe, o melhor comentarista de futebol da TV brasileira. Numa atividade em que reina o lugar comum (nas melhor das hipóteses), Ronaldo deu um show de inteligência e franqueza na transmissão de Real Madri X Barcelona, hoje, pela Globo.

PS: O segundo gol do Barça, de Messi (que também marcou o primeiro) foi de antologia. Me lembrou muito a memorável jogada de Maradona no gol de Caniggia, que eliminou o Brasil da Copa da Itália, em 1990, ainda nas oitavas de final. Só que hoje Messi fez tudo sozinho, com direito a marcar com o pé ruim, o direito, já caindo (assim como Maradona, célebre canhoto, já caindo, deu com o pé direito o passe milimétrico para Caniggia marcar). Genial.

Eu, que sempre relutei em compará-lo a seu grande compatriota, começo a me render. Compare abaixo as duas jogadas.

Maradona (1990): http://www.youtube.com/watch?v=euCgxfPuZIc
Messi (hoje): http://www.youtube.com/watch?v=a0n8EpWI_Rw

PS2: Duro ter de ouvir aqui e ali (não na Globo, verdade seja dita) os clichês mais surrados da “Barcelona republicana e contestadora”, e “a Madri da realeza, do governo centralizador, castrador” etc., como se a Espanha tivesse parado no tempo e Madri não fosse o que já é há muito tempo – uma cidade absolutamente livre e vibrante. Haja.