No dia que o pop brasileiro produzir algo remotamente à altura desta obra-prima celebrizada na voz de Marvin Gaye, o América do Rio já terá sido pentacampeão mundial!
http://www.youtube.com/watch?v=hajBdDM2qdg
segunda-feira, 28 de março de 2011
domingo, 27 de março de 2011
Decepcionado mas não surpreso
Eu sei que Caetano Veloso escreve uma coluna para O Globo (acho que quinzenal, aos domingos), por isso estava curioso e ao mesmo tempo apreensivo sobre o que ele teria a dizer sobre o imbroglio do tal blog de poesia de sua irmã Maria Bethânia, financiado com dinheiro público. Apreensivo porque o considero um grande artista, um dos maiores que o Brasil já produziu, e a chance de se equivocar na defesa da irmã era enorme. E não deu outra. Hoje saiu pelo jornal um texto de sua autoria, totalmente equivocado, fora de tom, defendendo o indefensável e, principalmente, perdendo tempo em negar aquilo que não se disse sobre o assunto. Uma lástima.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Shakira 3 X 1 Madonna
Shakira está fazendo shows no Brasil, e, por curiosidade, já que não conhecia praticamente nada do seu trabalho, acabei assistindo a alguns vídeos da artista no Youtube. Fiquei chapado - ela é nada menos que estonteante. Dança divinamente, e sua bela voz consegue ser naturalmente suave e sexual ao mesmo tempo, vulgaridade zero. Mesmo rebolando, passa uma imagem de mulher frágil, ultrafeminina, à Marilyn, que "precisa" do homem amado. É quase em tudo o oposto do que é (foi) Madonna, que, com sua coreografia fake de bad girl da Broadway, parece jogar sua independência na nossa cara (os homens), como que nos dando uma banana, como se isso fosse mesmo necessário, talvez tivesse sido. Fico com a primeira, de longe, ainda que Madonna voltasse aos seus 34 anos, idade da colombiana de Barranquilha.
http://www.youtube.com/watch?v=rgh0EXgaCWE
http://www.youtube.com/watch?v=rgh0EXgaCWE
domingo, 6 de março de 2011
Caranaval (2)
Como me soam fake esses blocos de rua temporões que estão bombando no Rio, batendo recordes de público etc. Em Olinda também, idem Salvador, que há muito parece um grande congresso de playboys de SP, Minas e Rio, com música 'local' apenas como fundo. Terá sobrado no Brasil um carnaval de rua autêntico* e sem turistas? Difícil, mas nada demais nisso, o carnaval brasileiro não é mais uma necessidade, só um feriado grande.
* Mas o que seria 'carnaval autêntico', hoje? Talvez exatamente o que se vê em Salvador, blocos fakes do Rio, Olinda etc. Uma festona a mais, sem maior significado.
PS: Incrível que, com tudo isso, os desfiles das escolas de samba do Rio permanecem importantes, ou seja, 'necessários'.
* Mas o que seria 'carnaval autêntico', hoje? Talvez exatamente o que se vê em Salvador, blocos fakes do Rio, Olinda etc. Uma festona a mais, sem maior significado.
PS: Incrível que, com tudo isso, os desfiles das escolas de samba do Rio permanecem importantes, ou seja, 'necessários'.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Business à brasileira
Ou eu entendi mal, e espero que tenha sido o caso, ou, de uma paulada só, três tradicionais e bem-sucedidas estações de rádio de São Paulo, com públicos cativos - Eldorado AM e FM, além da 107,3 FM - darão lugar a uma nova, possível monstrengo, que vai privilegiar esportes (diga-se, futebol) e noticiário. Nada contra as parcerias da ESPN Brasil com a Eldorado e a 107,3, que estão funcionando muito bem, mas não consegui, na minha limitação, enxergar um ganho nesta "unificação" - prevista para o final do mês.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Part of The Queue (2005)
Homenagem a Noel Gallagher, o gêniozinho de Manchester, nesta que talvez seja a última grande canção do Oasis, de sua autoria, claro. Ele também está no vocal. Beatles no auge.
http://www.youtube.com/watch?v=zq0DldWTXdA
http://www.youtube.com/watch?v=zq0DldWTXdA
João no Facebook?
Impagável e deliciosa a matéria de capa da Ilustrada de hoje ("João Ninguém"), sobre um suposto João Gilberto no Facebook, assinada pelo sempre competente Marcus Preto. Até os amigos estão em dúvida, porque o sujeito dá detalhes impressionantes de conversas reservadas etc. Se for fake, acho que é alguma namorada ou amigo, talvez com o consentimento do artista - talvez não! Até Caetano foi chamado, ele que, além de amigo do cantor, também é um notório madrugador - as postagens do possível João geralmente são escritas na madrugada. Para o compositor, não se trata do verdadeiro João. Mas enfim, a questão do fake é ótima - por que não seria até lógico que alguém tão recluso quanto ele passasse a usar para valer o Facebook?
http://sergyovitro.blogspot.com/2011/03/joao-ninguem.html
PS: faltou um depoimento do grande Ruy Castro, um craque em João Gilberto.
http://sergyovitro.blogspot.com/2011/03/joao-ninguem.html
PS: faltou um depoimento do grande Ruy Castro, um craque em João Gilberto.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
O processo
Post* de um blog de literatura cheio de diquinhas pseudo-espertas para escritores aspirantes. “Escreva, reescreva, jogue fora, puxe pela memória etc.”, parece receita de bolo. É o trololó “moderno-minimalista” de sempre, e já centenário. No limite, o sujeito vai escrever uma frase a cada dez dias, bem lapidada, claro, tudo muito sério, profundo, “enxuto”. E mesmo que o discurso não tivesse o surrado viés do minimalismo, um escritor, qualquer um, que se sujeita a fórmulas, e tão rígidas como aquelas, merece cair imediatamente no ridículo, porque obviamente está se levando muito a sério. Afinal, boa parte de tudo o que se produz, é irrelevante, é ruim, sempre foi assim. Uma obra menor a mais não faz a menor diferença, é até bem-vinda. Se ela se sobressair, ótimo, sucesso à vista, mas é o tal “processo” que seduz quem se arrisca a criar.
* http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/sobrescritos/conselhos-literarios-fundamentais-i/
* http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/sobrescritos/conselhos-literarios-fundamentais-i/
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Embra
Quase todo cineasta brasileiro de 50 anos para cima diz que o cinema brasileiro "tinha morrido" com o fim da Embrafilme, decretado logo no início do governo Collor, em 1990. Curioso. Como funcionavam as coisas antes? A verdade é que a criação dessa estatal, em 1969, em plena era de chumbo da ditadura militar, e sua rápida adesão por parte dos cineastas que se opunham ao regime, é uma das (muitas) bizarrices da cena político-artística brasileira - um case mundial! Argh. Merece um post bem maior, que será feito assim que eu conseguir um tempinho para o blog.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Sebald filmado?
Nada como um programa atrás do outro. Na mesmíssima TV Sesc, dentro do mesmo programa (Direções), logo depois do tal teleteatro capenga, eis que surge um belíssimo curta-metragem em 35 mm, "Olhos de Ressaca", de Petra Costa, (colorido, 20 minutos) sobre as reminiscências de um casal na faixa dos 80 anos, feliz, saudável, sereno e com um quê de tristeza, há décadas vivendo numa fazenda.
Trata-se de uma linda reflexão sobre o passar do tempo, da finitude, e zero pieguice, porque os depoimentos de cada um são para lá de interessantes, sábeis, e as soluções visuais e narrativas escolhidas por Petra, bastante criativas. A diretora mistura com habilidade registros atuais do casal (que nunca falam olhando para a câmera), em bela fotografia, ótima edição de som e bons enquadramentos, com imagens - possivelmente reais - do passado da família, registradas em película (Super 8?) - os quatro filhos pequenos brincando entre si e com os pais, ainda jovens e (muito) bonitos, seqüências de passeios na fazenda, no presente, lembranças dos pais deles, de como se conheceram, do namoro, do casamento, tudo em poucas frases - é uma arqueologia poético-impressionista daquela família, daquele casal, já que dos filhos nada sabemos sobre o seu presente (ou futuro melhor dizendo).
Aqui e ali, sem cansar, um e outro se alternam na leitura de alguma poesia ou trecho de romances marcantes para eles - trechos nada óbvios de Drumond, Rosa etc. A cumplicidade dos dois, a relação suave entre eles, doce, é tocante. Filme muito bem concebido e realizado. No final a bela senhora diz, se referindo ao companheiro - "nossa vida é entrelaçada".
Claro que toda vida rende um filme. Às vezes o enredo ajuda, mas sempre precisa do talento do realizador.
Trata-se de uma linda reflexão sobre o passar do tempo, da finitude, e zero pieguice, porque os depoimentos de cada um são para lá de interessantes, sábeis, e as soluções visuais e narrativas escolhidas por Petra, bastante criativas. A diretora mistura com habilidade registros atuais do casal (que nunca falam olhando para a câmera), em bela fotografia, ótima edição de som e bons enquadramentos, com imagens - possivelmente reais - do passado da família, registradas em película (Super 8?) - os quatro filhos pequenos brincando entre si e com os pais, ainda jovens e (muito) bonitos, seqüências de passeios na fazenda, no presente, lembranças dos pais deles, de como se conheceram, do namoro, do casamento, tudo em poucas frases - é uma arqueologia poético-impressionista daquela família, daquele casal, já que dos filhos nada sabemos sobre o seu presente (ou futuro melhor dizendo).
Aqui e ali, sem cansar, um e outro se alternam na leitura de alguma poesia ou trecho de romances marcantes para eles - trechos nada óbvios de Drumond, Rosa etc. A cumplicidade dos dois, a relação suave entre eles, doce, é tocante. Filme muito bem concebido e realizado. No final a bela senhora diz, se referindo ao companheiro - "nossa vida é entrelaçada".
Claro que toda vida rende um filme. Às vezes o enredo ajuda, mas sempre precisa do talento do realizador.
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