quarta-feira, 2 de março de 2011

Part of The Queue (2005)

Homenagem a Noel Gallagher, o gêniozinho de Manchester, nesta que talvez seja a última grande canção do Oasis, de sua autoria, claro. Ele também está no vocal. Beatles no auge.
http://www.youtube.com/watch?v=zq0DldWTXdA

João no Facebook?

Impagável e deliciosa a matéria de capa da Ilustrada de hoje ("João Ninguém"), sobre um suposto João Gilberto no Facebook, assinada pelo sempre competente Marcus Preto. Até os amigos estão em dúvida, porque o sujeito dá detalhes impressionantes de conversas reservadas etc. Se for fake, acho que é alguma namorada ou amigo, talvez com o consentimento do artista - talvez não! Até Caetano foi chamado, ele que, além de amigo do cantor, também é um notório madrugador - as postagens do possível João geralmente são escritas na madrugada. Para o compositor, não se trata do verdadeiro João. Mas enfim, a questão do fake é ótima - por que não seria até lógico que alguém tão recluso quanto ele passasse a usar para valer o Facebook?
http://sergyovitro.blogspot.com/2011/03/joao-ninguem.html

PS: faltou um depoimento do grande Ruy Castro, um craque em João Gilberto.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O processo

Post* de um blog de literatura cheio de diquinhas pseudo-espertas para escritores aspirantes. “Escreva, reescreva, jogue fora, puxe pela memória etc.”, parece receita de bolo. É o trololó “moderno-minimalista” de sempre, e já centenário. No limite, o sujeito vai escrever uma frase a cada dez dias, bem lapidada, claro, tudo muito sério, profundo, “enxuto”. E mesmo que o discurso não tivesse o surrado viés do minimalismo, um escritor, qualquer um, que se sujeita a fórmulas, e tão rígidas como aquelas, merece cair imediatamente no ridículo, porque obviamente está se levando muito a sério. Afinal, boa parte de tudo o que se produz, é irrelevante, é ruim, sempre foi assim. Uma obra menor a mais não faz a menor diferença, é até bem-vinda. Se ela se sobressair, ótimo, sucesso à vista, mas é o tal “processo” que seduz quem se arrisca a criar.

* http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/sobrescritos/conselhos-literarios-fundamentais-i/

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Embra

Quase todo cineasta brasileiro de 50 anos para cima diz que o cinema brasileiro "tinha morrido" com o fim da Embrafilme, decretado logo no início do governo Collor, em 1990. Curioso. Como funcionavam as coisas antes? A verdade é que a criação dessa estatal, em 1969, em plena era de chumbo da ditadura militar, e sua rápida adesão por parte dos cineastas que se opunham ao regime, é uma das (muitas) bizarrices da cena político-artística brasileira - um case mundial! Argh. Merece um post bem maior, que será feito assim que eu conseguir um tempinho para o blog.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sebald filmado?

Nada como um programa atrás do outro. Na mesmíssima TV Sesc, dentro do mesmo programa (Direções), logo depois do tal teleteatro capenga, eis que surge um belíssimo curta-metragem em 35 mm, "Olhos de Ressaca", de Petra Costa, (colorido, 20 minutos) sobre as reminiscências de um casal na faixa dos 80 anos, feliz, saudável, sereno e com um quê de tristeza, há décadas vivendo numa fazenda.

Trata-se de uma linda reflexão sobre o passar do tempo, da finitude, e zero pieguice, porque os depoimentos de cada um são para lá de interessantes, sábeis, e as soluções visuais e narrativas escolhidas por Petra, bastante criativas. A diretora mistura com habilidade registros atuais do casal (que nunca falam olhando para a câmera), em bela fotografia, ótima edição de som e bons enquadramentos, com imagens - possivelmente reais - do passado da família, registradas em película (Super 8?) - os quatro filhos pequenos brincando entre si e com os pais, ainda jovens e (muito) bonitos, seqüências de passeios na fazenda, no presente, lembranças dos pais deles, de como se conheceram, do namoro, do casamento, tudo em poucas frases - é uma arqueologia poético-impressionista daquela família, daquele casal, já que dos filhos nada sabemos sobre o seu presente (ou futuro melhor dizendo).

Aqui e ali, sem cansar, um e outro se alternam na leitura de alguma poesia ou trecho de romances marcantes para eles - trechos nada óbvios de Drumond, Rosa etc. A cumplicidade dos dois, a relação suave entre eles, doce, é tocante. Filme muito bem concebido e realizado. No final a bela senhora diz, se referindo ao companheiro - "nossa vida é entrelaçada".

Claro que toda vida rende um filme. Às vezes o enredo ajuda, mas sempre precisa do talento do realizador.

TV Sesc na madrugada e Lost

Apresentação de um trio que podia ser detido por tentativa de agressão física à música e aos pobres instrumentos - bateria/percussão, piano e contrabaixo acústico. Uma sonoridade sub, sub, sub-Gismonti, com improvisos horripilantes e música que não expressa nada, ou melhor, expressa um mal estar de não acabar nunca - o tempo parece parar, no pior sentido.

Já o episódio de Lost (de que nunca fui muito fã) exibido pela Globo, mesmo dublado, foi absurdamente bem realizado, horripilante no melhor sentido. O elenco feminino é de uma beleza (multiracial) incomparável, sempre com atuações de primeira.

PS: Ainda na TV Sesc, agora entrou um 'teleteatro' que tenta ser uma 'commedia dell'arte' metalingüística, com atores veteranos e desconhecidos; texto de quinta. Eita como se desperdiça energia!

TV

Nada mal o programa "Classe Turística - brasileiros no exterior", exibido pela TV Bandeirantes. Uma idéia boa, que estava dando sopa. Vi só um, o de Barcelona, e foi interessante porque os brasileiros entrevistados, mesmo sem querer, deixaram passar uma solidão e uma certa perplexidade bem típicas de quem é estrangeiro e não tem vida fácil de endinheirado. Diversidade de personagens, de abordagens, enfim, bom. E demorou, porque com o novo "milagre", daqui a pouco todo o povo tá de volta...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ronaldo

Fui pego de surpresa com a aposentadoria do grande Ronaldo Nazário. O futebol brasileiro fica obviamente mais sem graça sem ele, e os críticos cri-cri terão de escolher outra vítima. Neymar que se prepare.

Ronaldo teve momentos memoráveis em sua volta ao Brasil em 2009, vestindo a camisa do Corinthians, a despeito das toneladas de bobagens que saíram na imprensa esportiva na época, projetando seu fracasso antes mesmo que ele estreasse.
 
A estréia marcante contra o Palmeiras, com direto a drible de chaleira e gol de cabeça no acréscimos, os gols de antologia contra o Santos, na Vila, pela semi do Paulistão, o gol decisivo contra o Internacional, na final da Copa do Brasil, no Pacaembu, em que colocou o bom zagueiro Índio para dançar com um corte seco e tiro rasteiro com o pé esquerdo, no canto do goleiro; um de voleio contra a Ponte Preta, de alta precisão, em que trocou de pé no último momento, coisa de gênio. Sem contar os passes quase sempre precisos, o toque na bola diferenciado, os deslocamentos que confundiam as defesas e a visão de jogo que só os grandes mestres possuem. Em 2010, as seguidas contusões atrapalharam, mas ele continuou fazendo a diferença.

PS: Ronaldo tem uma trajetória atípica em relação aos grandes craques da história do futebol, ele que foi um deles, com todos os méritos e sem questionamentos - apesar de ter feito seu nome nos clubes, com impressionantes média de gols e arrancadas, os grandes títulos ficaram restritos à sua passagem pela Seleção Brasileira. Isso se explica pelo fato de que o excepcional atacante quase nunca jogava no melhor time do campeonato que disputava, com exceção do Real Madrid de 2003, no qual foi campeão nacional. Se o Corinthians não tivesse perdido alguns de seus principais jogadores no meio de 2009, talvez triunfasse no Brasileirão e/ou na Libertadores, títulos que compensariam com sobras o que lhe faltou na Europa. Mas não será mais possível, uma pena. Valeu Fenômeno!

PS2: Zico considerava os dribles em velocidade a qualidade mais marcante de Ronaldo, o que o fazia único. Da minha parte, lembro que Pelé, no auge, também tinha essa característica, e não muitos outros.

PS3: Não sei por que Ronaldo, tão bem conectado ao marketing, não coloca no mercado um DVD com TODOS os seus mais de 400 gols como jogador profissional. Ele já é de uma época em que há registros completos, imagino, diferente de Pelé, claro. Dizem que há dezenas de obras-primas em sua passagem pelo PSV, quando ainda não era tão conhecido, mas quase não se mostra. Sinto falta de um produto assim com Maradona, por exemplo.

PS4: Ronaldo chorou na entrevista coletiva ao se referir à torcida do Corinthians. Certamente não agradecia aos imbecis das organizadas, que só fazem piorar o nosso futebol, mas aos torcedores comuns, como eu, que o receberam de braços abertos. Como corintiano e amante do bom futebol, me emocionei também.

Jogos/gols Ronaldo: Fonte Wikipédia.
 
Cruzeiro (1993-94): 46 jogos, 44 gols.
PSV Heindhoven (94-96): 57 jogos, 54 gols.
Barcelona (96-97): 49 jogos, 47 gols.
Internazionale de Milão (97-2002): 99 jogos, 59 gols.
Real Madri (2002-2007): 177 jogos, 104 gols.
Milan (2007-2008): 20 jogos, 9 gols.
Corinthians (2009-2011): 69 jogos, 35 gols
 
Seleção Brasileira (1994-2006): 97 jogos, 62 gols.
 
Total: 614 jogos, 414 gols, média de 0.67. Números notáveis, mas frios, como toda estatística - e quanto à profusão de dribles, canetas, arranques, passes, lançamentos etc? Isso tudo somado é que fez dele um dos grandes da história.

Copacabana (1946)

Do gênio Braguinha, com o grande Dick Farney. Não consegui a versão original, mas a que segue está bem bonita.

http://www.youtube.com/watch?v=BRn_b7KVZO0

Noturno (1979)

Interpretada em grande estilo por Raimundo Fagner, esta gravação é uma obra-prima da MPB. A canção foi composta pelos irmãos cearenses Graco e Caio Sílvio. Ideal para ouvir bem alto no carro, cantando também bem alto (se possível em dupla), o refrão Ai, Coração Alaaaaaaaaaado!

http://www.youtube.com/watch?v=RbwLJGgU138