terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PIB per capta, pizza e shushi em São Paulo

Transformando os dados do Estadão de hoje, relativos ao PIB per capita da cidade de São Paulo (320 bilhões de reais, 11.244 milhões de habitantes) em dólares (a um câmbio de 1.7), chega-se a quase 17 mil dólares/ano (já o país está próximo de alcançar a marca histórica dos 10 mil dólares). Sem a carga tributária excessiva e as transferências desmedidas para a União, acho que SP já teria ultrapassado os US$ 30 mil.

E sim, pizzas e shushis continuam a mil: diariamente, 1 milhão de pizzas e 350 mil shushis são consumidos na cidade que hoje aniversaria.

Para efeito comparativo, confira abaixo o PIB per capita de alguns países em 2008, pré-crise (em milhares de dólares). Fonte: Banco Mundial.

Estados Unidos: 47.4
Bélgica: 47.3
Austrália: 46.8
França: 46.0
Canadá: 45.0
Alemanha: 44.7
Reino Unido: 43.7
Itália: 38.9
Japão: 38.4
Espanha: 35.1
Hong Kong: 30.7
Israel: 28.4
Distrito Federal: 27.0
Portugal: 23.0
República Tcheca: 20.7
Coréia do Sul: 19.1
Cidade de São Paulo: 16.7
Estado de São Paulo: 14.1 
Rússia: 11.8
Venezuela: 11.4
Turquia: 10.5
Chile: 10.1
Uruguai: 9.6
Brasil: 8.3
Argentina: 8.2
Bolívia: 1.6

PS: Luxemburgo e Noruega lideraravam o ranking entre todos os países, com inacreditáveis, respectivamente, 113 e 94.3. Logo em seguida, Catar (93.2), Suiça (68.4), Dinamarca (62.0), Irlanda (60.5 - e  pensar que era um país pobre menos de 20 anos atrás, incrível!) e Emirados Árabes Unidos (55.0).

PS2: Obviamente a China (já virtualmente a segunda economia mundial), devido a sua enorme população (1.3 bilhões), possui um PIB per capita baixo (menos de 4 mil dólares em 2008). Mas a conta para eles é outra: se conseguirem que meros 400 milhões de chineses consumam em padrões americanos, já será mais que suficiente para liderar o ranking, algo que deve acontecer nos próximos 10 ou 15 anos, se não houver nenhuma reviravolta econômica, claro - aliás, se houver (toc, toc na madeira), o Brasil tá frito!

PS3: o Brasil tem muito que evoluir.

E o ex-Leo fechou

Não sei por que deixei passar, já tem uns quatro, cinco meses, o fechamento do bar e restaurante do Leo, na Maria Carolina com Sampaio Vidal. Na verdade, havia quase dois anos não era mais do Leo (adorável figura), que, junto com o irmão, o tinha vendido, mas, apesar de ter passado por uma reforma bastante discutível, a casa manteve (não inteiramente, mas quase) as características que fizeram sua fama – bar agitado à noite, preços camaradas no almoço, muita simpatia no atendimento, cerveja sempre gelada e um peixe frito e rabada (quinzenal) bastante acima da média, além de um filé à parmegiana suculento e bem montado. Tinha também uma costelinha de porco honestíssima, às terças, entre outros pratos sempre bem servidos.

Nesta segunda fase, fiz amizade com o Djalma, jovem e competente gerente, exímio conhecedor de futebol internacional - gostava de passar lá para ver jogos da Champions League e me atualizar com ele das novas. Seu defeito é ser são-paulino!

Freqüentava o lugar desde 1998, como bar, mas só descobri que os almoços valiam a pena bem depois. Chato não ter podido me despedir do pessoal, fui pego de surpresa na última vez que fui para almoçar e encontrei tudo fechado - aliás, isso já tinha acontecido antes, mas achei que era por algum motivo excepcional e não dei muita bola (ato falho); na segunda vez perguntei a um vizinho, que me contou que o ex-Leo tinha sido comprado, e os novos donos fariam uma grande reforma (sempre ela!), para inaugurar a nova casa. A julgar pelos restaurantes do entorno, não tenho muita esperança que consiga ser tão interessante.  

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Reforma da Mário de Andrade

Parece que a biblioteca ficou maravilhosa, como em seus bons tempos. Meus pais, ainda universitários, começaram a namorar lá, no finalzinho dos anos 1950, época das "canalhas" literária e científica - grupos de estudos bem animados que batiam ponto na Mário de Andrade, de que faziam parte, além dos meus pais, Manoel Carlos, Carlos Henrique Escobar, Jairo Arco e Flecha, Zé Celso, Carlos Zara, Bento de Almeida Prado, José Gianotti, Cyro Del Nero, Enio Mainardi, entre muitos outros, assunto para outro post.

PS: minha mãe conseguiu no google uma longa entrevista com Mauro Rubens e Cyro Del Nero, de 2006, com histórias incríveis do período. Como está em PDF, coloquei o link da busca - depois de clicar, é a primeira pesquisa da página (em caixa alta), com o título Biblioteca Mário de Andrade Projeto Memória Oral.

http://www.google.com.br/search?sourceid=navclient&aq=10h&oq=&hl=pt-BR&ie=UTF-8&rlz=1T4GGLL_pt-BRBR375BR375&q=frequentadores+da+biblioteca+mario+de+andrade+na+d%c3%a9cada+de+50%2c+canalha+liter%c3%a1ria+e+cient%c3%adfica

sábado, 22 de janeiro de 2011

Documentário (canal National Geographic)

Impressionantes as imagens exibidas no programa Redescobrindo a Segunda Guerra, no episódio que trata da invasão da União Soviética pelos alemães, a partir de junho de 1941. No começo achei até que fossem encenações "vintage", picaretagem infelizmente comum e que assola  tantos docs de época, mas não era o caso - trata-se de imagens reais (em cores), feitas em película pelos próprios alemães (geralmente "soldados" da SS).

Que eles gravavam no front é sabido, mas o programa mostrou uma riqueza impressionante destes registros, ao longo de quase uma hora de programa: cenas de batalhas na Ucrânia e Rússia, rendições, execuções, colaborações de civis na perseguição e assassinatos de judeus, manobras dos soldados siberianos - trazidos do extremo leste para enfrentar os nazistas -, enfim, nada que lembrasse aqueles documentários com as mesmas imagens de sempre do conflito, como tantas vezes acontece com filmes sobre Pelé e Garrincha.

Tralhas Modernas

É um blog de música bem interessante, descobri há pouco. A propósito, faz tempo que quero escrever um post sobre Milton Nascimento, vou fazer isso.

http://tralhasmodernas.blogspot.com/

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

The Pocilga

Hoje comecei outro blog, uma experiência mais de levada twitter, mas sem os limites deste. Claro que a idéia é escrever textos bem mais curtos - às vezes só uma ou duas frases - que os de O Luzíada (que prossegue, sem mudanças), igualmente sem limitação de assunto.

Mas como nunca se sabe, posso precisar de um espaço maior que o do twitter, por isso um blog. Seu lema é: "Concisão sem pretensão". Segue link: http://thepocilga.blogspot.com/

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Confessionário

Que texto maravilhoso escreveu Armando Antenore sobre a grande Tomie Ohtake, na revista Bravo! deste mês. Brincando com o português precário da artista, mas sem nunca soar esnobe, o jornalista alterna passagens em que se faz passar por ela (na primeira pessoa) com descrições tradicionais em terceira pessoa, resumindo com maestria sua trajetória e pontos de vista. A revista também traz, ente outras boas reportagens -, um perfil de primeira classe da editora inglesa Liz Calder, idealizadora da Flip, assinada por ninguém menos que Thomaz Souto Correa (com reportagem de Cecília Brandi).

PS: a Bravo! reduziu em um terço seu preço em banca (de 14,90 para 10 reais), uma tacada inteligente, que parece ter influenciado positivamente na qualidade do seu conteúdo, visivelmente melhor que algumas edições que li no passado recente. Boa notícia.

http://armandoantenore.com.br/index.php/confessionario/tomie-ohtake

Iñarritu/Arriaga

Não suporto essa dupla - picaretas que se deram bem no cinema enganando trouxas influentes. Argh.

I can't stand it no more (1979)

Peter Frampton, beleza de música.

http://www.youtube.com/watch?v=pXBo-ynknsM

Afiador de facas

Há um afiador de facas que circula por Cerqueira César e Jardim Paulista. Talvez mais de um. Dá para ouvir bem, mesmo no 12º andar. Na verdade, não sei se seu trabalho é afiar facas, mas o interessante é que ele toca um instrumento musical semelhante a uma gaita* - não seria um realejo, já que não tem manivela, e suponho que a música não é predefinida, tem de ser tocada. Voltando ao (possível) afiador dos Jardins, suas frases musicais - sem ligação aparente, entremeadas de silêncio e às vezes bastante dissonantes - soam bem.

Caso a música não seja fruto de improviso (mais interessante que não seja), fico curioso se ela veio de outro afiador, ou se cada um compõe repertório próprio, mas com características (quais?) que sempre remetam ao ofício, que o identifique à primeira audição - razão primeira do instrumento nesse contexto. Só perguntando! Ou pesquisando.

* Conversei rapidamente com um afiador, no íncio de fevereiro. O instrumento é um tipo de gaita, sim, chamada por eles de Gaita do Ary; as melodias são transmitidas pelos veteranos aos que se iniciam na profissão. Há uma canção conhecida de Teixeirinha, "A Gaita Velha do Seu Ary", talvez o nome venha daí (com o perdão da rima!).