Assim que der, quero escrever sobre uma estação de rádio que descobri no litoral. É de Santos, chama Saudade FM (100,7 MHz), e se você não se incomodar de topar (muito de vez em quando) com um Nelson Ned (!), Reginaldo Rosse ("Mon Amour", anotei!) ou Wanderley Cardoso ("Socorro Nosso Amor Está Morrendo"), tem uma programação noturna sensacional, com um mix matador de hits de tudo que é estilo, época e lugar.
Dá para ouvir pela internet: http://www.saudadefm.com.br/
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Satisfação
Hoje meu filho, Gabriel, de 4 anos, tomou uma decisão importante, por conta própria. Numa lanchonete, um dos atendentes perguntou se ele era são-paulino. Na lata, ele respondeu “não, sou corintiano”! Fiquei duplamente surpreso (e feliz), porque nem sabia que ele conhecia o significado da palavra são-paulino (até porque evitamos ao máximo falar palavrões em casa!), e nunca o induzi a torcer pelo meu time. Dá-lhe Gab!
domingo, 9 de janeiro de 2011
Back in town
De volta a São Paulo*, 12 dias de quase férias na praia, mas valeu muito! Amanhã o blog volta à ativa, assim espero.
*Como quase disse Caetano, São Paulo é a segunda melhor cidade do mundo para se viver na América do Sul!
*Como quase disse Caetano, São Paulo é a segunda melhor cidade do mundo para se viver na América do Sul!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Foco
Ainda há muito preconceito da crítica brasileira com a TV, principalmente em relação aos atores desse meio. Alguém duvida que Juliana Paes poderia brilhar no cinema, se fosse dirigida, digamos, pelo chinês Wong Kar-wai? Eu não. Juliana, possivelmente, teria feito melhor que a insossa Norah Jones, em Um Beijo Roubado (2007). Mesmo nas mãos de um Karim Amouz - um dos nossos cineastas mais "festejados" -, a julgar pelos seus filmes, difícil imaginar que ela atuasse sem os cacoetes típicos (e necessários) da dramaturgia das novelas.
O problema do cinema brasileiro não é falta de potenciais estrelas, mas de diretores que saibam de fato dirigir atores e extras, condição essencial para um filme aspirar a ser grande.
O problema do cinema brasileiro não é falta de potenciais estrelas, mas de diretores que saibam de fato dirigir atores e extras, condição essencial para um filme aspirar a ser grande.
sábado, 25 de dezembro de 2010
De pretensão e água benta
Há uma passagem de Beira-Mar, do grande Pedro Nava, em que o memorialista cita uma frase do amigo Mário de Andrade sobre a possível influência dos poetas simbolistas no modernismo brasileiro. Ei-la: "Não imitamos Rimbaud. Nós desenvolvemos Rimbaud. Estudamos a lição de Rimbaud"*. Digo eu: quanta pretensão! Quem era Mário de Andrade para se comparar (e superar!) um dos maiores poetas de todos os tempos, em qualquer língua? Mas esse tipo de postura era algo bem típico do escritor paulistano, que superestimava o valor da sua obra, no que mostrou imenso talento, já que esta continua a ser superestimada no Brasil.
* a frase foi citada pelo jovem Carlos Drummond, no artigo "Poesia e religião", para A Revista. Claro que o futuro grande poeta se sentia devedor da obra de Mário, como de resto praticamente toda a Geração de 30. Mas, esteticamente, principalmente em poesia, Mário não era tudo isso. Aliás, não era nada disso...
* a frase foi citada pelo jovem Carlos Drummond, no artigo "Poesia e religião", para A Revista. Claro que o futuro grande poeta se sentia devedor da obra de Mário, como de resto praticamente toda a Geração de 30. Mas, esteticamente, principalmente em poesia, Mário não era tudo isso. Aliás, não era nada disso...
Globalizou
O Natal está virando moda no oriente e em alguns países de religião islâmica. Não deixa de ser irônico, depois de tantos ataques à civilização ocidental ao longo desta década que está acabando - nesse sentido, Bin Laden quebrou a cara. Viva o Natal, feliz Natal!
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Solstício 2
O verão começa oficialmente às 21h38 desta terça-feira, horário de Brasília. Agora, em São Paulo, são quase duas da tarde (13h00, se ignorarmos o horário de verão), a umidade está baixa (40%), e faz 32ºC. Bom sinal, que venha o calor!
PS: uma dúvida: a nova estação começa ao mesmo tempo (só mudando obviamente a hora local em cada fuso) em todo o hemisfério sul? Acho que sim.
PS: uma dúvida: a nova estação começa ao mesmo tempo (só mudando obviamente a hora local em cada fuso) em todo o hemisfério sul? Acho que sim.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Novelas
Parece que a reprise da novela Vale Tudo (1988), de Gilberto Braga, está bombando na TV paga, e boa parte da audiência seria formada por jovens. Eu a acompanhei na época, era quase inevitável para quem vivia no Brasil. Esse sucesso é interessante, por dar uma pequena mostra, para quem tem menos de 30 e poucos anos, do quanto era profunda essa inevitabilidade.
Primeiro porque as novelas podiam ser muito boas, como foi o caso de Vale Tudo; segundo porque, sem internet, redes sociais, celular, games e TV por assinatura, a Globo só competia com os demais canais abertos, e digamos que eles não conseguiam ser muito "competitivos" - Tupi (depois SBT), Bandeirantes, Cultura, Record ("a pior" era o seu apelido!*), Gazeta e Manchete (a partir de 1983) até exibiam bons programas, mas que eram esporádicos - semanais, mensais ou até anuais**. Ninguém podia com as novelas diárias da Globo - a das oito batia nos 80% de audiência - e, com o tempo, nenhum canal sequer tentava concorrer para valer, até que a TV Manchete começasse a produzir suas próprias novelas, que conseguiram incomodar a líder por algum tempo, mas não muito.
Mas quero recuar um pouco mais. Nos anos 70 e até o finalzinho dos 80 (com Tieta), as novelas da Globo e o Jornal Nacional detinham, juntos, provavelmente a maior audiência fidelizada do mundo*** - o canal já comandava uma indústria relevante no entretenimento e jornalismo, o que até destoava da jequice brasileira da época em outras áreas, como o cinema. Não é à toa que o Rio, sede da emissora, era a cidade mais cosmopolita do país - São Paulo nem sonhava desfrutar do atual papel de cidade hegemônica. Nesse universo, Boni, Daniel Filho e Armando Nogueira eram reis, e Roberto Marinho um tipo de deus da terceira idade.
Quando, em 1975, Roque Santeiro, de Dias Gomes, foi ridícula e inesperadamente censurada pelo regime militar, Janete Clair criou a toque de caixa Pecado Capital, uma obra-prima de argumento e execução - o grande Paulinho da Viola teve apenas um fim de semana para compor a música-tema, que se tornou imediatamente um clássico da MPB ("dinheiro na mão é vendaval..."). Espantoso.
O declínio seria uma questão de tempo, e ele começou já nos anos 90, muito suave (mesmo assim, em 1991, Gilberto Braga escreveu, em minha modesta opinião, uma das melhores novelas da história, O Dono do Mundo, mas sua audiência não foi das melhores, uma pena). Tardiamente, Senhora do Destino (de 2004), de Aguinaldo Silva, se mostrou cativante e obteve grande audiência (média de 55%,), mas soou como o canto do galo.
* Ainda é!
** Segunda (ou Terça) Sem Lei, da TV Bandeirantes, que o diga. Era bem legal.
*** A audiência da novela das oito, hoje, mal ultrapassa os 40%. Já a situação do JN é pior: nos final dos anos 80, detinha, em média, 62%, e atualmente, apenas a metade. Mesmo assim, a liderança da Globo no horário nobre continua folgada - a julgar pela programação da concorrência em sinal aberto, ainda bem.
Primeiro porque as novelas podiam ser muito boas, como foi o caso de Vale Tudo; segundo porque, sem internet, redes sociais, celular, games e TV por assinatura, a Globo só competia com os demais canais abertos, e digamos que eles não conseguiam ser muito "competitivos" - Tupi (depois SBT), Bandeirantes, Cultura, Record ("a pior" era o seu apelido!*), Gazeta e Manchete (a partir de 1983) até exibiam bons programas, mas que eram esporádicos - semanais, mensais ou até anuais**. Ninguém podia com as novelas diárias da Globo - a das oito batia nos 80% de audiência - e, com o tempo, nenhum canal sequer tentava concorrer para valer, até que a TV Manchete começasse a produzir suas próprias novelas, que conseguiram incomodar a líder por algum tempo, mas não muito.
Mas quero recuar um pouco mais. Nos anos 70 e até o finalzinho dos 80 (com Tieta), as novelas da Globo e o Jornal Nacional detinham, juntos, provavelmente a maior audiência fidelizada do mundo*** - o canal já comandava uma indústria relevante no entretenimento e jornalismo, o que até destoava da jequice brasileira da época em outras áreas, como o cinema. Não é à toa que o Rio, sede da emissora, era a cidade mais cosmopolita do país - São Paulo nem sonhava desfrutar do atual papel de cidade hegemônica. Nesse universo, Boni, Daniel Filho e Armando Nogueira eram reis, e Roberto Marinho um tipo de deus da terceira idade.
Quando, em 1975, Roque Santeiro, de Dias Gomes, foi ridícula e inesperadamente censurada pelo regime militar, Janete Clair criou a toque de caixa Pecado Capital, uma obra-prima de argumento e execução - o grande Paulinho da Viola teve apenas um fim de semana para compor a música-tema, que se tornou imediatamente um clássico da MPB ("dinheiro na mão é vendaval..."). Espantoso.
O declínio seria uma questão de tempo, e ele começou já nos anos 90, muito suave (mesmo assim, em 1991, Gilberto Braga escreveu, em minha modesta opinião, uma das melhores novelas da história, O Dono do Mundo, mas sua audiência não foi das melhores, uma pena). Tardiamente, Senhora do Destino (de 2004), de Aguinaldo Silva, se mostrou cativante e obteve grande audiência (média de 55%,), mas soou como o canto do galo.
* Ainda é!
** Segunda (ou Terça) Sem Lei, da TV Bandeirantes, que o diga. Era bem legal.
*** A audiência da novela das oito, hoje, mal ultrapassa os 40%. Já a situação do JN é pior: nos final dos anos 80, detinha, em média, 62%, e atualmente, apenas a metade. Mesmo assim, a liderança da Globo no horário nobre continua folgada - a julgar pela programação da concorrência em sinal aberto, ainda bem.
Finotti
A matéria de capa da revista Serafina* sobre a cantora Amy Winehouse, escrita por Ivan Finotti, de tão boa, deveria ser incorporada aos cursos (quase sempre horrorosos) de jornalismo, país afora. É bastante informativa sem ser burocrática ou óbvia. Tem ritmo e um tom coloquial de primeira classe, como nos bons diálogos do cinema, que fluem e parecem fáceis de criar, mas são dificílimos. O jornalista mostra respeito pela personagem, sem se furtar de debochar do que merece ser deboxado nela. Não é jornalismo gonzo, porque o foco, a informação estão lá, bonitinhos, sem pretensões de literatices. Está acima do gonzo, porque a matéria tem estilo, mas tudo em prol do melhor jornalismo.
*Folha de S. Paulo de ontem.
Para assinantes: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/serafina/sr1912201010.htm
*Folha de S. Paulo de ontem.
Para assinantes: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/serafina/sr1912201010.htm
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