quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Brazil
Depois de passar no exame médico, tentei fazer a prova teórica para a renovação da carteira de habilitação sem estudar o material do Detran, e mesmo tendo acertado 80% das questões relativas ao Código de Trânsito Brasileiro ("Direção defensiva") - que é o que deveria contar para quem dirige - fui reprovado. No total, foram 20 respostas certas em 30, mas precisava de 21. Como não sou médico ou enfermeiro, fui mal (acerto de 40%) em "Noções de Primeiros Socorros no Trânsito". Moral da história: além de sair me sentindo um idiota, prejuízo de 30 reais - sem contar o tempo perdido e o que vou precisar para estudar e evitar novo vexame. Parece que até 2004 só precisava do exame médico. Mas se a burocracia pode dificultar - e lucrar com a coisa - por que não fazê-lo? Argh.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Zero discernimento
Geralmente não compro livros em livrarias - quando entro em uma, gosto de folhear o primeiro capítulo de algum lançamento, geralmente de autores conhecidos. Às vezes gosto tanto que acabo levando um, mas é raro - geralmente me espanta a ruindade da maioria. Foi o caso de 'Os Espiões' (2009), de Luis Fernando Verissimo. Cheguei ao capítulo 2, puro lixo.
Que uma editora queira ganhar uns cobres lançando porcarias de escritores consagrados, é do jogo. Deprimente é o autor veterano não se constranger de produzir material tão fraco.
Que uma editora queira ganhar uns cobres lançando porcarias de escritores consagrados, é do jogo. Deprimente é o autor veterano não se constranger de produzir material tão fraco.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Scarlett Johansson assombrando
A era Dilma Rousseff mal começou oficialmente e para mim já acabou, se é que me entendem. Segue link com a divina Scarlett cantando Tom Waits em seu álbum de estréia (2008). Pois é. Há artistas excepcionalmente talentosos que não dependem da Petrobras. Melhor assim!
http://www.youtube.com/watch?v=D5B1HqumqcM
E mais um:
http://www.youtube.com/watch?v=ACfmparmCdg
http://www.youtube.com/watch?v=D5B1HqumqcM
E mais um:
http://www.youtube.com/watch?v=ACfmparmCdg
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Eleições - e o colchão nem precisou ser usado
Dados importantes que pesquei na Folha de hoje, a partir dos votos válidos de Dilma (56,05%) e Serra (43,95%) no segundo turno.
1 – Dilma ganharia mesmo isolando as duas regiões em que teve votação maciça - Norte e Nordeste. Nestas, Dilma conseguiu uma diferença a seu favor de 11.7 milhões de votos (10.7 milhões no NE e um milhão no Norte). Como sua vantagem total foi de cerca de 12 milhões de votos, é correto afirmar que ela também venceu no restante do país - por uma diferença bastante apertada (0,3% dos válidos ou 300 mil votos), mas venceu.
2 - Pensando nas próximas eleições presidenciais, é assustador constatar que existe de fato um “colchão” de votos no Norte e Nordeste que não apenas apóia Lula - como em 2006 - mas quem quer que seja que tenha o seu apoio. Na prática, essa reserva ainda não precisou ser usada nem por Lula nem por Dilma, mas caso fosse (ou seja) necessário, significa uma vantagem praticamente intransponível de quase 12 milhões de votos a ser tirada pela oposição. Num segundo turno, 6 milhões eleitores têm de ser convencidos a mudar de candidato. Essa realidade obviamente não será eterna, mas tende a não se alterar tão cedo.
Ou seja: Dilma não precisou do Norte/Nordeste para se eleger, mas Serra, para derrotá-la, teria que ter conseguido nas outras regiões uma vantagem que, em condições normais, tem sido missão quase impossível ao PSDB - para reverter o quadro, Serra precisava de uma vantagem no Sudeste de pelo menos 20%, mas não só não a obteve como perdeu o duelo - 48,1% a 51,8%.
Em outro cálculo - agora incluindo a votação no Norte/Nordeste -, mesmo que os números contundentes pró-Dilma no Rio (60, 5% a 39,5%) e Minas (58,5% a 41,5%) fossem invertidos a favor de Serra, a candidata petista ainda venceria a eleição, e por boa margem (52,6% a 47,5%). Para o estado de São Paulo reverter sozinho a situação, a candidatura Serra teria que ter produzido um massacre de 80% a 20% – ontem os números foram bem mais modestos: Serra 54% a 46%. Essa é a verdadeira conta a ser feita pela oposição para disputar a Presidência, e ela é assustadora. PRI à vista.
PS: achei que tinha partido de uma premissa errada, mas verifiquei que não foi o caso. Na verdade, as variáveis são simples: Dilma teve uma vantagem total em relação a Serra de 12 milhões de votos em todo o país, mas no Norte e Nordeste o número chegou a 11.7 milhões, o que corresponde a 97.5% da vantagem. O que isso significa? Simples. Esses 11.7 milhões são uma espécie de zero - se a diferença total a favor dela fosse inferior a este número, isso significaria, obrigatoriamente, que Dilma teve menos votos que Serra no restante do país. E vice-versa. No primeiro caso, se o vencedor no Sudeste, hipoteticamente, fosse Serra, e não Dilma, e pela mesma diferença que deu a vitória à petista (1,6 milhão de votos), a diferença total entre eles cairia dos 12 milhões para 8.8 milhões, indicando que Dilma perdeu quando isolamos o Norte/Nordeste e, a depender dessa diferença, poderia até perder a eleição. No caso inverso, se Dilma, e não Serra tivesse vencido no Sul, a diferença total subiria mais 2.4 milhões, chegando aos 14.4 milhões, o que indicaria uma vitória ainda mais expressiva fora do esquadro Norte/Sul. Por último, se Dilma vencesse por exatos 11.7 milhões de vantagem, é claro que os votos nos outros estados mostrariam um empate entre ela e Serra.
De qualquer forma, a diferença total pró-Dilma, de 12 milhões, acabou sendo um pouquinho maior que os 11.7 milhões, portanto essa é a exata diferença a favor de Dilma no restante do país – 300 mil votos ou 0,3% dos votos válidos. Ufa!
1 – Dilma ganharia mesmo isolando as duas regiões em que teve votação maciça - Norte e Nordeste. Nestas, Dilma conseguiu uma diferença a seu favor de 11.7 milhões de votos (10.7 milhões no NE e um milhão no Norte). Como sua vantagem total foi de cerca de 12 milhões de votos, é correto afirmar que ela também venceu no restante do país - por uma diferença bastante apertada (0,3% dos válidos ou 300 mil votos), mas venceu.
2 - Pensando nas próximas eleições presidenciais, é assustador constatar que existe de fato um “colchão” de votos no Norte e Nordeste que não apenas apóia Lula - como em 2006 - mas quem quer que seja que tenha o seu apoio. Na prática, essa reserva ainda não precisou ser usada nem por Lula nem por Dilma, mas caso fosse (ou seja) necessário, significa uma vantagem praticamente intransponível de quase 12 milhões de votos a ser tirada pela oposição. Num segundo turno, 6 milhões eleitores têm de ser convencidos a mudar de candidato. Essa realidade obviamente não será eterna, mas tende a não se alterar tão cedo.
Ou seja: Dilma não precisou do Norte/Nordeste para se eleger, mas Serra, para derrotá-la, teria que ter conseguido nas outras regiões uma vantagem que, em condições normais, tem sido missão quase impossível ao PSDB - para reverter o quadro, Serra precisava de uma vantagem no Sudeste de pelo menos 20%, mas não só não a obteve como perdeu o duelo - 48,1% a 51,8%.
Em outro cálculo - agora incluindo a votação no Norte/Nordeste -, mesmo que os números contundentes pró-Dilma no Rio (60, 5% a 39,5%) e Minas (58,5% a 41,5%) fossem invertidos a favor de Serra, a candidata petista ainda venceria a eleição, e por boa margem (52,6% a 47,5%). Para o estado de São Paulo reverter sozinho a situação, a candidatura Serra teria que ter produzido um massacre de 80% a 20% – ontem os números foram bem mais modestos: Serra 54% a 46%. Essa é a verdadeira conta a ser feita pela oposição para disputar a Presidência, e ela é assustadora. PRI à vista.
PS: achei que tinha partido de uma premissa errada, mas verifiquei que não foi o caso. Na verdade, as variáveis são simples: Dilma teve uma vantagem total em relação a Serra de 12 milhões de votos em todo o país, mas no Norte e Nordeste o número chegou a 11.7 milhões, o que corresponde a 97.5% da vantagem. O que isso significa? Simples. Esses 11.7 milhões são uma espécie de zero - se a diferença total a favor dela fosse inferior a este número, isso significaria, obrigatoriamente, que Dilma teve menos votos que Serra no restante do país. E vice-versa. No primeiro caso, se o vencedor no Sudeste, hipoteticamente, fosse Serra, e não Dilma, e pela mesma diferença que deu a vitória à petista (1,6 milhão de votos), a diferença total entre eles cairia dos 12 milhões para 8.8 milhões, indicando que Dilma perdeu quando isolamos o Norte/Nordeste e, a depender dessa diferença, poderia até perder a eleição. No caso inverso, se Dilma, e não Serra tivesse vencido no Sul, a diferença total subiria mais 2.4 milhões, chegando aos 14.4 milhões, o que indicaria uma vitória ainda mais expressiva fora do esquadro Norte/Sul. Por último, se Dilma vencesse por exatos 11.7 milhões de vantagem, é claro que os votos nos outros estados mostrariam um empate entre ela e Serra.
De qualquer forma, a diferença total pró-Dilma, de 12 milhões, acabou sendo um pouquinho maior que os 11.7 milhões, portanto essa é a exata diferença a favor de Dilma no restante do país – 300 mil votos ou 0,3% dos votos válidos. Ufa!
domingo, 31 de outubro de 2010
A Day in the Life vs. Killing Moon
Em entrevista recente, Ian McCulloch disse a Paulo Ricardo, na Folha, que ‘Ocean Rain’ (1984) é melhor do que Sgt. Pepper's (1967), porque o disco da sua banda seria mais regular e não tem bobagens como “When I´m Sixty-Four”. Não achei absurdo, primeiro porque gosto muito desse disco do Eco & The Bunnymen, e segundo porque, para mim, o Pepper’s nem de longe é meu disco preferido dos Beatles, apesar de reconhecer sua importância histórica.
De fato, “Sixty-Four” é uma bobagem (e acho que nem é a única), mas o mais importante é constatar que praticamente nenhuma das grandes canções dos Beatles lançadas em 1967 (e foram muitas) faz parte do álbum - no mesmo 1967, o disco com a trilha do filme Magical Mystery Tour é melhor, http://pt.wikipedia.org/wiki/Magical_Mystery_Tour , mesmo sem ser "conceitual".
Mas há, claro, “A Day in the Life” - principalmente os primeiros dois minutos e quinze segundos, a parte composta e cantada por John Lennon (antes de Paul entrar com o vocal, no trecho de sua autoria ["Woke up, fell out of bed" ...]), que é um monumento.
Ainda sim, difícil discordar de Ian. Comparando os discos, o de sua banda soa mais consistente (mas obviamente não mais impactante), mas nenhuma canção, nem mesmo a inacreditável “Killing Moon”, consegue superar (ou igualar) esses 2’.15’’, uma obra-prima que talvez seja o ponto mais alto da música pop até hoje. O vocal de John, a melodia, a tensão quase insuportável do arranjo - a bateria de Ringo indo e vindo, a linha do baixo de Paul, os acordes dos pianos, enfim, e o fato não menos importante de a canção ter surgido ainda na década de sessenta. É a genialidade de John se manifestando, intransigente.
Para comparações:
http://www.youtube.com/watch?v=di7fKh3Vbj8
http://www.youtube.com/watch?v=3DRcah0SUfA
PS: interessante ver Ian empunhando um violão, numa das maiores canções do pop, ever.
PS2: curiosamente, a guitarra fica em segundo plano nestas duas obras-primas.
PS3: versão pré-finalizada estúdio de A Day In The Life:
http://www.youtube.com/watch?v=wklSXNPtiPA&feature=related
De fato, “Sixty-Four” é uma bobagem (e acho que nem é a única), mas o mais importante é constatar que praticamente nenhuma das grandes canções dos Beatles lançadas em 1967 (e foram muitas) faz parte do álbum - no mesmo 1967, o disco com a trilha do filme Magical Mystery Tour é melhor, http://pt.wikipedia.org/wiki/Magical_Mystery_Tour , mesmo sem ser "conceitual".
Mas há, claro, “A Day in the Life” - principalmente os primeiros dois minutos e quinze segundos, a parte composta e cantada por John Lennon (antes de Paul entrar com o vocal, no trecho de sua autoria ["Woke up, fell out of bed" ...]), que é um monumento.
Ainda sim, difícil discordar de Ian. Comparando os discos, o de sua banda soa mais consistente (mas obviamente não mais impactante), mas nenhuma canção, nem mesmo a inacreditável “Killing Moon”, consegue superar (ou igualar) esses 2’.15’’, uma obra-prima que talvez seja o ponto mais alto da música pop até hoje. O vocal de John, a melodia, a tensão quase insuportável do arranjo - a bateria de Ringo indo e vindo, a linha do baixo de Paul, os acordes dos pianos, enfim, e o fato não menos importante de a canção ter surgido ainda na década de sessenta. É a genialidade de John se manifestando, intransigente.
Para comparações:
http://www.youtube.com/watch?v=di7fKh3Vbj8
http://www.youtube.com/watch?v=3DRcah0SUfA
PS: interessante ver Ian empunhando um violão, numa das maiores canções do pop, ever.
PS2: curiosamente, a guitarra fica em segundo plano nestas duas obras-primas.
PS3: versão pré-finalizada estúdio de A Day In The Life:
http://www.youtube.com/watch?v=wklSXNPtiPA&feature=related
sábado, 30 de outubro de 2010
Grande Phil Collins!
"You'll Be in My Heart" (para o filme Tarzan, da Disney, 1999)
http://www.youtube.com/watch?v=9RiRFTLH0y8&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=9RiRFTLH0y8&feature=related
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Surpresa
Hoje ouvi no rádio “Pra não dizer que não falei das flores”, De Vandré, com ele. Para minha surpresa, fiquei tocado pela beleza da canção, que não ouvia há um bom tempo. Sua voz potente mas sem floreios, quase seca, soa bem; o arranjo com dois violões, muito bem tocados – solo e acompanhamento – dá um tom suave, que contrasta com a letra pregando a revolução. A própria letra é indiscutivelmente bonita, bem escrita - seu tom assumidamente planfletário/conclamatório, de tão eficiente, faz a gente ter vontade de pegar um cantil(!), um canivete suíço e sair por aí, atrás de alguma coluna Prestes perdida, hehe! Enfim, trata-se de uma bela canção, que não envelheceu tanto assim, ou melhor: envelheceu com classe.
PS: de qualquer forma, revolucionário hoje, no Brasil, é eleger Serra presidente. "vem vamos embora que esperar não é saber - quem sabe faz a hora não espera acontecer". O refrão segue atual!
Segue link http://www.youtube.com/watch?v=1KskJDDW93k
PS 2: felizmente consegui o da gravação em estúdio (a que ouvi no rádio), e não a versão ao vivo, bem menos interessante musicalmente, mas que é o link mais comum da canção no youtube.
PS: de qualquer forma, revolucionário hoje, no Brasil, é eleger Serra presidente. "vem vamos embora que esperar não é saber - quem sabe faz a hora não espera acontecer". O refrão segue atual!
Segue link http://www.youtube.com/watch?v=1KskJDDW93k
PS 2: felizmente consegui o da gravação em estúdio (a que ouvi no rádio), e não a versão ao vivo, bem menos interessante musicalmente, mas que é o link mais comum da canção no youtube.
Haydn - trios para piano
Definitivamente, o melhor Mozart não teria existido sem os trios para piano (com cello e violino) de Haydn - não é à toa que Mozart idolatrava tanto seu conterrâneo mais velho. Confira o trio em Dó menor, que ouço agora a Rádio Cultura FM.
Pena, perdi o número do catálogo da obra e não consegui encontrar no YouTube, fica para uma próxima.
Pena, perdi o número do catálogo da obra e não consegui encontrar no YouTube, fica para uma próxima.
PS (ler post anterior)
Me ocorreu que "Bastidores", consagrada por Cauby Peixoto já em 1980, pode ser considerada o 'Drama' de Chico Buarque, evocando o passado com maestria, com toques de atualidade ("nunca cantei tão lindo assim"). Melodia e letra perfeitas - outra obra-prima do gênero retrô.
http://www.youtube.com/watch?v=WaqXdSUWKfg&feature=related
PS: pena que só consegui uma versão ao vivo, bem inferior a de estúdio, como é praxe.
Bastidores
Chico Buarque
Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
E me tranquei no camarim
Tomei o calmante, o excitante
E um bocado de gim
Amaldiçoei
O dia em que te conheci
Com muitos brilhos me vesti
Depois me pintei, me pintei
Me pintei, me pintei
Cantei, cantei
Como é cruel cantar assim
E num instante de ilusão
Te vi pelo salão
A caçoar de mim
Não me troquei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que tu nunca mais vais voltar
Vais voltar, vais voltar
Cantei, cantei
Nem sei como eu cantava assim
Só sei que todo o cabaré
Me aplaudiu de pé
Quando cheguei ao fim
Mas não bisei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que nunca mais vais voltar
Cantei, cantei
Jamais cantei tão lindo assim
E os homens lá pedindo bis
Bêbados e febris
A se rasgar por mim
Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
http://www.youtube.com/watch?v=WaqXdSUWKfg&feature=related
PS: pena que só consegui uma versão ao vivo, bem inferior a de estúdio, como é praxe.
Bastidores
Chico Buarque
Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
E me tranquei no camarim
Tomei o calmante, o excitante
E um bocado de gim
Amaldiçoei
O dia em que te conheci
Com muitos brilhos me vesti
Depois me pintei, me pintei
Me pintei, me pintei
Cantei, cantei
Como é cruel cantar assim
E num instante de ilusão
Te vi pelo salão
A caçoar de mim
Não me troquei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que tu nunca mais vais voltar
Vais voltar, vais voltar
Cantei, cantei
Nem sei como eu cantava assim
Só sei que todo o cabaré
Me aplaudiu de pé
Quando cheguei ao fim
Mas não bisei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que nunca mais vais voltar
Cantei, cantei
Jamais cantei tão lindo assim
E os homens lá pedindo bis
Bêbados e febris
A se rasgar por mim
Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
Drama (ler post Festa Imodesta)
Também de 1974, gravada estupendamente por Maria Bethânia, mostra os recursos infindáveis do compositor, evocando na melodia, sonoridade e letra, o melhor estilo "dor-de-cotovelo" produzido no Brasil nos anos 30 e 40, mas com um ou outro verso que nos fazem saber que não se trata de uma velha canção (como a último verso do refrão). Melodia riquíssima, que não se repete, apenas o refrão, grudento. Letra que esbanja virtuosismo na homenagem retrô, sem ironias tropicalistas. Vicente Celestino, que já tinha morrido na época, aprovaria, com louvor. Obra-prima!
http://www.youtube.com/watch?v=VRQni3vJWrE
Drama
Caetano Veloso
Eu minto mas minha voz não mente
Minha voz soa exatamente
De onde no corpo da alma de uma pessoa
Se produz a palavra eu
Dessa garganta, tudo se canta:
Quem me ama, quem me ama?
Adeus! Meu olho é todo teu
Meu gesto é no momento exato
Em que te mato
Minha pessoa existe
Estou sempre alegre ou triste
Somente as emoções
Drama!
E ao fim de cada ato
Limpo num pano de prato
As mãos sujas do sangue das canções
http://www.youtube.com/watch?v=VRQni3vJWrE
Drama
Caetano Veloso
Eu minto mas minha voz não mente
Minha voz soa exatamente
De onde no corpo da alma de uma pessoa
Se produz a palavra eu
Dessa garganta, tudo se canta:
Quem me ama, quem me ama?
Adeus! Meu olho é todo teu
Meu gesto é no momento exato
Em que te mato
Minha pessoa existe
Estou sempre alegre ou triste
Somente as emoções
Drama!
E ao fim de cada ato
Limpo num pano de prato
As mãos sujas do sangue das canções
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