quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Série

O piloto da nova série da HBO, Boardwalk, custou 20 milhões de dólares e foi dirigido por Scorsese. Foi escrito por Terence Winter, um dos principais roteiristas da Família Soprano, o que é bem mais que uma credencial, já que a série era soberba. Steve Buscemi faz um gangster da época da Lei Seca americana, nos anos 20, que é baseado num personagem real. Quem viu diz que vai marcar época, tanto quanto os Sopranos. Não duvido. A ver.

Nova TV Cultura

A TV Cultura mudou sua programação, e mudou para melhor, não há má vontade no mundo que impeça alguém de reconhecer o avanço. Muita coisa boa, mas destaco o novo Metrópolis, que deixou de ser aquele oba-oba habitual da cena artística paulistana, com cara de assessoria de imprensa, aumentou de tamanho e virou um programa analítico, com um apresentador que entende do riscado. O jornalismo também saiu do marasmo, e há bons enlatados da BBC sobre ciência, além dos filmes (recentes) da Mostra, duas vezes por semana. O programa Login foi mantido e é bem acima da média - não duvido que a jovem dupla de apresentadores - fluentes e talentosos - já esteja sendo assediada pela concorrência.

Se...

Na microbiografia de Rimbaud escrita por Edmund White, ficamos sabendo que o poeta - aos 20 anos e já com sua obra literária terminada - tentando combinar seu gosto por viagens com a necessidade de se sustentar, se ofereceu como tutor para famílias ricas em alguns países da Europa. Era 1874. Não conseguiu nada e acabou viajando por conta própria para a África oriental e Iémen, lugares bem inóspitos na época e onde, como era previsível, não teve vida fácil. Me ocorreu que ele poderia ter pensado no Brasil - haveria de conseguir alguma coisa no Rio da corte de Dom Pedro II. Talvez se animasse a continuar na poesia. É uma hipótese.

Caetano de volta ao batente

Leio no Estado que Gal Costa gravará um disco com inéditas de Caetano. O compositor já teria seis canções prontas, e ainda vai escrever mais algumas. Essa notícia alegrou meu dia - Caetano voltando a compor a todo vapor. Já foi dito neste espaço que esta parceria é um dos grandes acertos da MPB. Só espero que a inspiração de Caetano esteja num registro diferente daquela presente no álbum "Cê".

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Incongruentes

O premiado escritor argentino Alan Pauls, em entrevista ao Estadão de hoje, ainda que de forma meio dissimulada, se recusa a criticar a tentativa explícita dos Kirchner de estrangular os recursos econômicos dos principais jornais de seu país, atitude que atenta contra a liberdade de expressão e a democracia na Argentina. Pelo contrário, diz que esse embate é saudável por incentivar um "debate vital" a cerca do poder - ao seu ver excessivo - de "certos grupos mediáticos". Ao se manifestar dessa forma, faz (má) companhia ao cantor Fito Paez, que foi pelo mesmo caminho, desta vez em recente declaração à Folha de S. Paulo. Parece que esses artistas sentem algum tipo de nostalgia inconsciente da ditadura. Lamentável. Deprimente.

Aves ou ovos?

Incrível a má vontade da imprensa em geral com José Serra. Ele só teria chegado ao segundo turno por obra de Marina Silva. Tudo bem. Mas seus mais de 33 milhões de votos ajudaram um pouquinho, não? É como se fosse Serra, e não Dilma, o candidato a contar com a máquina do oficialismo. É uma postura que, entre outros defeitos, falta com a verdade, matéria-prima número um do jornalismo, ou do que deveria ser o jornalismo. Argh.

Eleições: os números sem maquiagem

Na reta final das campanhas, os institutos de pesquisas costumam divulgar apenas o percentual de votos válidos dos candidatos mais bem colocados. A razão disso é a possibilidade de um deles atingir a metade mais um dos votos válidos, e dessa forma eliminar o segundo turno. Ok, é uma opção que tenta simplificar o processo, mas considero isso um equívoco, porque infla a votação dos postulantes, mostrando números que não espelham a realidade. Vejamos alguns números desta eleição para presidente da República, realizada anteontem.


O (excelente) site do TSE http://www.tse.gov.br/internet/index.html informa que no Brasil há 135 milhões e 804 mil eleitores, e que nestas eleições a abstenção foi de 18,12%, ou seja, compareceram às urnas 111 milhões e 193 mil eleitores. Mas desse total, 8,64% votaram nulo ou branco (votos inválidos), portanto os votos válidos totalizaram 74,80% sobre aqueles 135 milhões, o que corresponde a 101 milhões e 590 mil votos - para vencer no primeiro turno, bastaria obter 37,40% mais um voto. Vamos agora aos percentuais de votos válidos de Dilma, Serra e Marina, números que foram amplamente divulgados na imprensa: respectivamente, 46,91% (47 milhões e 651 mil votos para Dilma), 32,61% (33 milhões e 132 mil votos para Serra) e 19,33% (19 milhões e 636 mil votos para Marina).


Ocorre que, se formos computar os votos de cada um sobre o total de eleitores (quase 136 milhões, sem entrar na abstenção) esses percentuais evidentemente caem muito, mas trazem uma radiografia mais realista do quadro eleitoral em relação à população brasileira. Cesar Maia prefere calcular com base na quantidade total de votos (válidos e não válidos), já descontando a abstenção, mas mesmo assim estes percentuais serão menores do que apenas os do universo dos válidos. Vamos aos resultados nos dois cálculos: sobre o total de eleitores (sem abstenção), o percentual de Dilma cai para 35,08%, o de Serra para 24,39% e o de Marina para 14,45%. Quando excluímos os que não compareceram (Cesar Maia), Dilma passa a ter 42,85%, Serra 29,79% e Marina 17,65%. São os números reais. Ou seja: se a tendência de abstenção e nulos se mantiver (e deve aumentar, porque haverá feriado prolongado no fim de semana do segundo turno), o candidato que conseguir algo entre 36 e 37% do total do eleitorado (pouco mais de um terço dele) será o próximo presidente do Brasil. Simples assim.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Comigo não, violão

De novo Marina Silva vem com a conversa mole de "erros" do PT, a pretexto de atacar seu ex-partido na reta final da campanha. Como diria minha sobrinha Nina, que mané erro, nada! Crimes, isto sim. O mensalão, além de crime gravíssimo de lesa-democracia, utilizava recursos PÚBLICOS para corromper os deputados envolvidos, Marina. O balcão de negócios em que se tranformou a Casa Civil (mesmo antes do mensalão), idem.
O procurador-geral da República chamou de quadrilha os operadores das negociatas, bem como do mensalão, que aliás era só uma das frentes de crimes envolvendo aquele ministério, crimes que hoje se sabe, continuam a acontecer. Vamos supor que a casa de Marina seja invadida e roubada. Espero que nunca aconteça, mas por acaso ela diria que os ladrões cometeram um "erro"?
Não é à toa que a candidata optou por não abandonar o PT e o cargo de ministra na época das denúncias. Erros não são necessariamente crimes - as palavras têm significado - e pensar assim expressa muito do que pensa Marina a respeito da vida pública.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Noveleiro da Sete

Possivelmente vou decepcionar os poucos leitores deste blog, mas devo dizer que o remake da novela Ti-ti-ti está impagável. Diálogos acima da média, humor e elenco afiados. Diversão quase sempre garantida.

Maluf 1 x 0 Erundina

Luiza Erundina não só compareceu como foi oradora do evento de ontem contra a imprensa livre e independente. Seria o caso de dizer que é uma lástima para quem se elegeu prefeita de São Paulo (1988), na primeira eleição direta para o cargo depois do fim da ditadura militar, mas se considerarmos que pouco depois Paulo Maluf e Celso Pitta também chegaram lá pelo voto, nem tanto. Pitta já morreu, mas Maluf está vivíssimo e não foi bater pau contra a democracia. Pior para Erundina.