sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Prerrequisito

A absurda reforma ortográfica aprovada tão docilmente no Brasil é um verdadeiro atentado à 'inculta e bela'. O exemplo acima é diz tudo, não precisaria de nenhum outro argumento. PS: o palavrão dá título a um artigo publicado na Folha e S. Paulo de hoje, e significa Pré-requisito. Aliás, os principais meios de comunicação, ao menos como protesto, poderiam ter demorado mais tempo para adotar as mudanças, que só serão obrigatórias a partir de dezembro de 2012.

Primórdios

Em 1913 não se cogitava que haveria uma grande guerra na Europa em tão pouco tempo. E tudo isso não completou cem anos. Ainda somos muito primitivos, antigos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

As tais "arenas"

Acho essa recente obsessão brasileira por novas"arenas" uma grande bobagem, meio provinciana até. Como se contruir estádios próprios fosse um passaporte para a grandeza e prosperidade eternas de um clube de futebol. Por acaso o Milan e a Inter de Milão, dois dos cinco maiores clubes do mundo, ao lado do Real Madri, Manchester United e Barcelona (Bayern de Munique e Chelsea ainda precisam comer feijão), não dividem o uso de um mesmo (e velho) estádio municipal, em Milão, que só muda de nome conforme o mandante? Qual o problema? Parece que a regra agora é lavar dinheiro, quanto mais bilhões de euros, melhor, e times como o Chelsea se prestam muito bem ao papel. Por mim, Corinthians e Palmeiras fariam uma parceria nos mesmos moldes dos italianos, reformando o Pacaembu - aliás, voltar a jogar no Pacaembu está fazendo muito bem ao Palmeiras, principalmente aos jogadores, sem a turma do amendoim enchendo o saco (acho que nem Pelé escaparia das vaias e perseguições, tivesse sido revelado no Palmeiras de hoje). Mas se um clube tem condições de levantar recursos privados para a construção  (e manutenção) de sua própria "arena", tudo bem, que se faça, como parece ser o caso do Palmeiras. Mas é bom lembrar, a bem da verdade, que o estádio do Morumbi se ergueu com a ajuda camarada de recursos públicos, boa parte já na ditadura militar - muita gente prefere não tocar no assunto.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

José Silvério

Ontem acompanhei Corinthians X São Paulo pelo rádio, na narração de José Silvério (Rádio Bandeirantes). Foi como se recusasse pelo menos uns 18, 20 anos no tempo, época em que a TV não era onipresente no futebol - pelo contrário, muitas vezes só  uma final merecia transmissão, e olhe lá. Silvério continua preciso, perfeito e sua voz, intacta. Por sinal, Corinthians 3 a 0, fora o baile!

Bienal e as crianças

Bienal do Livro abarrotada de crianças e pré-adolescentes que, em sua imensa maioria, não estão nem aí para o evento. Mas a demogogia de que levá-los à Bienal vai produzir do nada futuros leitores em larga escala se impõe, por isso a tentiva de percorrer as estandes sem atropelos fica restrito a isso - uma mera tentativa, perda de tempo.

sábado, 21 de agosto de 2010

Alban Berg

Concerto para violino - "À Memória de um Anjo".
1º Movimento: http://www.youtube.com/watch?v=UrfoyyreUbE

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Libertadores, Brasileirão e Champions League - algumas considerações

De 1992 para cá, foram 19 edições de Libertadores da América. Destas, times brasileiros conseguiram chegar à final em 16 ocasiões (84.2%), tendo sido campeões em nove oportunidades (56.2%). É um amplo domínio, que pode e deve aumentar – vencendo mais finais. Por tudo isso, digo o seguinte - e não é inveja de corintiano que nunca comemorou um título do torneio: acho mais difícil, bonito e bacana conquistar o revigorado Campeonato Brasileiro, o melhor (não o mais forte) torneio nacional do planeta, em que praticamente a metade dos participantes tem chances reais de título, em que há de fato 12 clubes grandes em ação, e não dois ou três, no máximo quatro, como na Europa (acho que por isso eles gostam tanto da Champions, porque aí tem muito mais graça, pelo grau maior de indefinição). E digo 'melhor' mesmo e não 'mais equilibrado', porque penso na quantidade de grandes e tradicionais clubes que o disputam, de várias cidades, suas torcidas enormes e os jogadores revelados - não há paralelo no mundo, só em termos proporcionais, na Holanda. Penso inclusive que, dado as dimensões continentais do país, o Brasileirão poderia ser maior: ao invés de 20 clubes, poderiam ser 22 ou 24 – basta diminuir um pouco os estaduais, que não devem ser extintos mas não precisam ser tão longos.

Sugestão de mudanças para a Libertadores: 1ª e 2ª divisões?

Atualmente 32 times disputam a Libertadores da América. Seria melhor que fosse dividia em duas: séries A e B, com acesso e descenso, 16 clubes em cada uma. Com cabeças de chave previamente definidos, sistema de quatro grupos de quatro classificando dois times, e a partir da aí, mata-mata até a finalíssima, em um único jogo, nos moldes da Champions League. As quatro piores campanhas da Série A caem para a B, que por sua vez promove os quatro melhores times (os semifinalistas). TV transmitindo tudo, não creio que haveria muita reação por parte da Confederação Sul-Americana.

Sugestão de mudanças para a Champions: pontos corridos?

Hoje a Champions League também começa para valer com 32 clubes. Poderia selecionar 16 para disputarem um campeonato de pontos corridos, substituindo os nacionais europeus. Haveria uma fortíssima segunda divisão com, digamos, 24 clubes, dos quais 4 ascendem. E uma interessante terceira, com mais 24, também premiando os quatro melhores. TV cobrindo tudo, seria muito legal, mas as Ligas não permitiriam. Talvez só daqui a uns 10, 15 anos, com sorte.

Neymar

Faz tempo que não falo de futebol, vamos lá. Os babacas da objetividade podem ficar tranqüilos: o Neymar vai acabar jogando na Europa, mas o fato de, aos 18 anos, ter preferido permanecer no Santos - de contrato novo e mais valorizado – é auspicioso. Agora é segurar o Ganso!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Rosa (1980)

É uma grandes canções de Chico Buarque, apesar de pouco badalada. A longa letra é engenhosa (rimando sempre a última palavra do verso com a primeira do seguinte) e hilária, com ótimas tiradas. A melodia, assimétrica, é só aparentemente simples - se repete como um caracol. A métrica tende para o decassílabo, mas de tônica quebrada. Muito bom.

Ouça em curioso registro de Chico com o cantor e compositor italiano Sérgio Endrigo (cantando em português [desconheço a data da gravação]).

http://www.youtube.com/watch?v=NlN1GvhFJeE

A Rosa
(Chico Buarque)

Arrasa o meu projeto de vida
Querida, estrela do meu caminho
Espinho cravado em minha garganta
Garganta
A santa às vezes troca meu nome
E some

E some nas altas da madrugada
Coitada, trabalha de plantonista
Artista, é doida pela Portela
Ói ela
Ói ela, vestida de verde e rosa

A Rosa garante que é sempre minha
Quietinha, saiu pra comprar cigarro
Que sarro, trouxe umas coisas do Norte
Que sorte
Que sorte, voltou toda sorridente

Demente, inventa cada carícia
Egípcia, me encontra e me vira a cara
Odara, gravou meu nome na blusa
Abusa, me acusa
Revista os bolsos da calça

A falsa limpou a minha carteira
Maneira, pagou a nossa despesa
Beleza, na hora do bom me deixa, se queixa
A gueixa
Que coisa mais amorosa
A Rosa

Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?
Bandida, cadê minha estrela guia
Vadia, me esquece na noite escura
Mas jura
Me jura que um dia volta pra casa

Arrasa o meu projeto de vida
Querida, estrela do meu caminho
Espinho cravado em minha garganta
Garganta
A santa às vezes me chama Alberto
Alberto

Decerto sonhou com alguma novela
Penélope, espera por mim bordando
Suando, ficou de cama com febre
Que febre
A lebre, como é que ela é tão fogosa
A Rosa

A Rosa jurou seu amor eterno
Meu terno ficou na tinturaria
Um dia me trouxe uma roupa justa
Me gusta, me gusta
Cismou de dançar um tango

Meu rango sumiu lá da geladeira
Caseira, seu molho é uma maravilha
Que filha, visita a família em Sampa
Às pampa, às pampa
Voltou toda descascada

A fada, acaba com a minha lira
A gira, esgota a minha laringe
Esfinge, devora a minha pessoa
À toa, a boa
Que coisa mais saborosa
A Rosa

Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?
Bandida, cadê minha estrela guia?
Vadia, me esquece na noite escura
Mas jura
Me jura que um dia volta pra casa

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mozart Camargo Guarnieri

A sinfonia nº 3, regida por John Neschling/Osesp, é impressionante. Guarnieri é provavelmente o maior sinfonista brasileiro de todos os tempos - mais do que isso, foi um grande compositor de seu tempo, mesmo com um prenome desta magnitude! Pena eu não ter conseguido nenhum link completo da obra.