sexta-feira, 23 de julho de 2010
Godfathers
Reprise do Poderoso Chefão na TV, ontem e hoje, o I e II. A não ser quando é dublado, quando posso não consigo resistir, que filmaços. By the way, depois de tanto assistir, acho que já dá para dizer qual das duas versões eu acho a melhor: a primeira, por uma ou duas cabeças, mas com certeza o Chefão II é possivelmente a melhor continuação do cinema, ao lado de Toy Story II – mas a de Godfather ganha, por ter sido feita em muito menos tempo: 2 anos contra 4 do Toys. PS: no Chefão I, as inacreditáveis cenas de suspense no hospital me parecem cada vez mais uma homenagem de Coppola ao grande Hitchcock. PS2: além do diretor e elenco, que trabalho primoroso de Gordon Willis e Nino Rota.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Semideuses
Uma coisa que sempre me intriga é a capacidade de certas pessoas de lidar bem com uma pressão coletiva gigante, mantendo sempre o que se espera delas, às vezes indo além. Exemplos: Einstein a partir de 1910, Beatles a partir de 1965, Caetano e Bowie na década de 70, esportistas como Pelé, Michael Phelps, Borg, Usain Bolt, alguns estilistas. Todos, ao menos durante um bom tempo, zombaram do fracasso. Aliás, Phelps e Bolt ainda zombam!
Boa Ação
O Corinthians resolveu perder sua invencibilidade no Brasileirão contra um time que está na zona de rebaixamento e quase não tem torcida (Atlético Goianiense). Melhor assim. Rumo ao penta!
Humanos 2
As pessoas têm inveja daquilo que gostariam de ter ou possuir ou usufruir, e que imaginam que nunca conseguirão. Poucas vezes se trata de dinheiro, porque a riqueza, no limite da fantasia, pode ser trazida pela sorte de um bilhete premiado, um casamento, herança etc. A inveja se manifesta mais pelo que o feio sente em relação ao bonito, o mediano ou só bonzinho diante do talentoso, iluminado etc. Nunca tive inveja porque no fundo sempre me senti capaz de muita coisa. Agora não sei.
Humanos
Pessoas idosas costumam despertar uma espécie de pena, comiseração entre os mais novos, já que teoricamente elas não dispõem de muito tempo, o bem supremo. É interessante notar que um aspecto concreto e importante dessa realidade costuma ficar encoberto: partindo do princípio óbvio de que todos vão morrer, e nem todo mundo vai viver muito, aquele senhor ou senhora idosa por quem sentimos piedade, ao menos já garantiu um tempo de existência que muitos não terão. Pode ter, inclusive, usufruído a vida como muito poucos jovens sequer poderiam sonhar – independentemente disso, pode até estar se divertindo no presente. Mas esta omissão faz sentido pela ótica humana – o que conta é o tempo por vir: dificilmente um Pablo Picasso aos 80 (ou antes), deixaria, se pudesse, de trocar sua vida pela de um João ninguém de 25. A lógica da vida não é matemática - no fundo aquela piedade que o jovem (ou menos velho) sente pelo velho é antes piedade antecipada de si mesmo.
Questão de ordem
Se algum jornal ou canal de TV importante abraçasse a causa de uma ONG patrocinada hipoteticamente por Fernandinho Beira Mar, haveria muita chiadeira, e com razão – afinal, em nenhuma hipótese a imprensa livre pode compactuar com o crime organizado. Pois se um partido político apoiou por anos e ainda apóia, declaradamente e sem rodeios, uma organização criminosa que, a pretexto de fazer justiça social, promove, entre outras brutalidades, o seqüestro e o assassinato de civis, mantendo-os em campos de concentração construídos na selva colombiana, além de ser umbilicalmente ligada ao narcotráfico, qual o problema de associar, ainda que indiretamente, seus integrantes a esta organização? É o que penso sobre essa gritaria toda do PT contra qualquer menção à proximidade do partido com as Farc. O mesmo em relação ao primeiro programa de governo de Dilma Rousseff, apresentado como oficial e depois apenas parcialmente cancelado, que continha tentações totalitárias de controle dos meios de comunicação, atentando contra a democracia e o sagrado direito de expressão - conquistas institucionais que a sociedade brasileira aquiriu às duras penas desde o fim da ditadura militar, e de que não pode abrir mão. E o pior é que a imprensa livre assiste a tudo como se não tivesse nada com isso - ou pior, já que uma boa parte dela parece encampar as queixas petistas de que "os udenistas" de sempre estariam fazendo tempestade em copo d’água. Lamentável, deprimente e perigoso.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
México
Bom o programa de Antony Bourdain no México. Os bares que eles chamam de ‘cantinas’ servem petiscos deliciosos, na faixa, contanto que se continue a beber - de preferência bem servidas doses de tequila. Não consigo imaginar isso acontecendo no Brasil, pelo menos com o mesmo grau de honestidade que esse tipo de regalo implica. A comida de rua é de primeira, e os famosíssimos ‘tacos al pastor’ parecem mesmo sensacionais - sem contar que o sotaque mexicano soa muito bem. No conheço o país, mas deveria, é um velho sonho que espero realizar em breve.
A boa babel
Naveguei ao acaso pelo Facebook dos Estados Unidos, e fiquei surpreso e bem impressionado com o número de descendentes latinos presentes no site, misturados aos "locals", aliás, sendo naturalmente locals eles mesmos. E para que isso não fosse simplesmente reflexo de tribos afins, começava repetidamente a navegação do zero, por alguém que não tivesse amizade com nenhum outro do círculo anterior. Acabei topando com ex-alunos latinos das melhores universidades do país, mas também com comerciantes, técnicos e executivos, jovens, coroas, e adolescentes de várias regiões dos Estados Unidos, cada qual integrado em meio à maioria de sobrenomes americanos mais típicos. Não que comunidades mais fechadas não existam dentro e fora do Face/América, claro que sim - no caso dos indianos e/ou paquistaneses, por exemplo, foi inevitável constatar que o círculo de amigos era formado em sua maioria por compatriotas e descendentes -, mas é de se perguntar quantos países populosos no mundo, nos últimos 60 anos, receberam e recebem tantos estrangeiros que vem para ficar, como acontece nos Estados Unidos. E sim, recebem, não "acolhem" – em grande escala, é o que acontece, o resto é demagogia barata. Evidente que é impossível receber todo o fluxo de gente que gostaria de viver lá, porque estamos falando de milhões de pessoas, de toda parte do mundo, razão pela qual o país tem sido injustamente taxado de 'segregador' e 'elitista', principalmente nos lugares em que o antiamericanismo já se tornou uma corrente dominante - ou seja, em muuuuuitos países, infelizmente.
Ruy Castro
Ruy Castro é um grande escritor, mas nunca lhe darão o devido crédito no Brasil, por ele não ser de “ficção”. Mas um autor capaz de uma obra-prima como ‘Chega de Saudade’, os deliciosos ‘Saudades do Século 20’ e ‘Ela é Carioca’, as extraordinárias biografias de Nelson Rodrigues e Garrincha só pode ser chamado de grande escritor.
terça-feira, 20 de julho de 2010
500 Dias com Ela - por que não gostei
Quem ainda não viu favor pular esse post. Dito isso, adiante. Não sei por que o filme tem sido tão elogiado. Claro que Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt formam um casal lindo, e dão conta do recado nos papéis de, respectivamente, Summer e Tom, mas a questão é que o ‘tal ciclo da paixão’ não é esmiuçado com a devida profundidade nesta comédia romântica que supostamente teria ‘subvertido’ as regras do gênero.
No filme, Summer é uma gata blasé de vinte e poucos, que aparentemente desaprova o romantismo explícito do namorado na relação, e sempre que pode o acusa de ser meio pegajoso etc. Na primeira metade do filme, assistimos o rapaz ser rejeitado das mais várias formas, mas eles seguem juntos por algum tempo. O que me incomodou é que, enquanto dura o namoro, Summer tenta enquadrar o parceiro com um discurso não romântico, como se essa postura tivesse sido fruto de uma genuína reflexão de uma vida amorosa intensa, como se sua atitude tivesse uma conexão com seu jeito de ser. Não é o caso. Conforme o rompimento se aproxima, e depois que ele acontece, constatamos que Summer de fato nunca tinha se apaixonado de verdade, portanto suas premissas eram falsas, sua atitude blasé para com o amor só uma defesa adolescente, imatura, e que, acima de tudo, suas críticas a Tom eram injustas – ele, sim, estava apaixonado e tentava apenas viver a paixão sem freios, uma postura mais do que louvável, adulta. O problema é que o filme finge que nada disso aconteceu, e isso me incomodou - há uma cena no final que sintetiza o que quero dizer: o já ex-casal se encontra casualmente na rua, ela casada com outro, ele ainda com dificuldade de aceitar o fim do namoro.
Bom, se o filme fosse intelectualmente honesto, crítico, Tom teria a oportunidade de dizer que o imaturo sempre foi ela e não ele; que o fato de ela nunca ter abraçado a relação se devia ao fato de que ela nunca chegou a se apaixonar por ele (e não porque tinha um jeito de amar mais blasé), e que tão logo isso aconteceu ela se casou, só isso, nada muito original. Mas não é o que vemos. Ela, por sua vez, de fato diz que com o marido tudo tinha sido diferente, mas omite que a postura de indiferença de antes não era um jeito de ser, apenas uma ignorância. Ou seja, ela poderia, agora, mais afetivamente madura, ter aproveitado para se desculpar por sua imaturidade, por não ter sido honesta com o ex, honesta de dizer que apenas não o queria o suficiente. Sim claro, eu tive minhas Summers em verões passados, e sofri o diabo com isso.
No filme, Summer é uma gata blasé de vinte e poucos, que aparentemente desaprova o romantismo explícito do namorado na relação, e sempre que pode o acusa de ser meio pegajoso etc. Na primeira metade do filme, assistimos o rapaz ser rejeitado das mais várias formas, mas eles seguem juntos por algum tempo. O que me incomodou é que, enquanto dura o namoro, Summer tenta enquadrar o parceiro com um discurso não romântico, como se essa postura tivesse sido fruto de uma genuína reflexão de uma vida amorosa intensa, como se sua atitude tivesse uma conexão com seu jeito de ser. Não é o caso. Conforme o rompimento se aproxima, e depois que ele acontece, constatamos que Summer de fato nunca tinha se apaixonado de verdade, portanto suas premissas eram falsas, sua atitude blasé para com o amor só uma defesa adolescente, imatura, e que, acima de tudo, suas críticas a Tom eram injustas – ele, sim, estava apaixonado e tentava apenas viver a paixão sem freios, uma postura mais do que louvável, adulta. O problema é que o filme finge que nada disso aconteceu, e isso me incomodou - há uma cena no final que sintetiza o que quero dizer: o já ex-casal se encontra casualmente na rua, ela casada com outro, ele ainda com dificuldade de aceitar o fim do namoro.
Bom, se o filme fosse intelectualmente honesto, crítico, Tom teria a oportunidade de dizer que o imaturo sempre foi ela e não ele; que o fato de ela nunca ter abraçado a relação se devia ao fato de que ela nunca chegou a se apaixonar por ele (e não porque tinha um jeito de amar mais blasé), e que tão logo isso aconteceu ela se casou, só isso, nada muito original. Mas não é o que vemos. Ela, por sua vez, de fato diz que com o marido tudo tinha sido diferente, mas omite que a postura de indiferença de antes não era um jeito de ser, apenas uma ignorância. Ou seja, ela poderia, agora, mais afetivamente madura, ter aproveitado para se desculpar por sua imaturidade, por não ter sido honesta com o ex, honesta de dizer que apenas não o queria o suficiente. Sim claro, eu tive minhas Summers em verões passados, e sofri o diabo com isso.
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