segunda-feira, 26 de abril de 2010
PS
Sobre o post abaixo, vale uma observação. Naquela época, os candidatos a vice concorriam diretamente aos cargos, ou seja, disputavam e recebiam seus próprios votos. Na prática, era uma outra eleição, ainda que simultânea à da presidência da República. Isso significava, claro, que não necessariamente o presidente eleito conseguia emplacar o vice de sua chapa. Que coisa mais ridícula, parece uma espécie de elogio da conspiração! - terá sido mais uma jabuticaba brasileira? De qualquer forma, como se sabe, foi o que aconteceu em 1960, já que Jango, mesmo sendo de outra chapa, se "elegeu" vice de Jânio. O resto é história.
Pergunta
Sempre que chega perto da eleições para presidente da República, me ocorre o que poderia ter acontecido se houvesse reeleição na época de Juscelino Kubitschek - este ano mais ainda, pelas comemorações dos 50 anos de Brasília. Me pergunto sobre o golpe militar de 1964. A dúvida cabe, porque, muito possivelmente, se pudesse concorrer, Juscelino teria vencido a eleição para a Presidência em 1960, e não Jânio Quadros, acho que isso ninguém questiona - e com o mineiro na disputa, talvez Jânio nem tivesse concorrido. Assim sendo, nossa história política teria sido completamente outra, ou isso não teria feito muita diferença, a não ser adiar a data do golpe? Bom, como sempre faço aqui, não vou ficar em cima do muro. Acho que teria mudado tudo, e para melhor - nossa precária democracia da época teria resistido.
Mozart
Incrível como o primeiro concerto para piano de Mozart (em fá maior, K 37), composto quando ele tinha só 12 anos, já é música de primeira classe. Ouvi há pouco no celular (Cultura FM). Conheço alguns outros concertos para piano da fase ultrajovem dele, e não tinha ficado tão entusiasmado, mas esta obra me tocou. De qualquer forma, a partir do número 17 (em Sol maior, K 453) ele alcançaria o sublime como pouquíssimos artistas de qualquer tempo conseguiram fazer. Mozart.
1º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=RWnnn3BlC20
2º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=r71CE16ONzg&feature=related
3º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=a2XspamNYaw&feature=related
1º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=RWnnn3BlC20
2º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=r71CE16ONzg&feature=related
3º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=a2XspamNYaw&feature=related
domingo, 18 de abril de 2010
Only Mozart
Descobri há pouco no iTunes uma rádio francesa que só toca Mozart (Radio Mozart), que ótima idéia! Sempre sonhei com isso. Não que se vá escutar um mesmo autor - mesmo que grande - o dia todo, mas é bom saber que se quero ouvir Mozart, basta acessar o iTunes e pronto, sua música estará lá, a poucos cliques. Não há locução (o que é bom e ruim), e as peças vão surgindo picotadas - não são necessariamente tocadas na íntegra, se é que isso acontece. Mas tudo bem, continua valendo.
Vale o jogo
Não gosto muito do receio antecipado que se disseminou na imprensa esportiva, de que se o Santos não for campeão (paulista), o futebol-arte sairá perdendo, e que isso soará como mais um grande injustiça do futebol etc. Daqui a pouco o Santos enfrenta o São Paulo em casa, e pode até perder por um gol - torço por mais uma exibição de gala dos meninos da Vila - mas se por acaso a vaga ficar no Morumbi e os gols tiverem sido lícitos e sem interfência da arbitragem, tudo bem, terá sido justo. Na verdade, o Santos “dá espetáculo”, como já virou clichê falar, porque tem jogadores excepcionais, como Neymar, Robinho e Ganso – além dos ótimos André e Marquinhos, mas sua defesa é apenas razoável e tem um goleiro que considero fraco. Quando Muricy conquistou o tricampeonato brasileiro pelo São Paulo (2006/07/08), o que se falava era que seu time ganhava, mas jogava feio. Não concordo, mas mesmo que fosse uma verdade indiscutível, como jogar bonito sem craques? O que ele fez no SP é incrível e deve ser exaltado. No auge de Pelé e Cia, o Palmeiras conseguiu a proeza de conquistar três campeonatos paulistas (1959, 63 e 66) e uma Taça Brasil (1959), provavelmente sem "dar espetáculo", mas foi merecedor em cada um das conquistas. PS: o Brasil perdeu para a Itália em 82 porque Cerezo e Leandro cometeram falhas individuais bisonhas, que não foram desperdiçadas pelos italianos, por isso, mesmo com excepcional atuação de Zico (e muito boa de Sócrates e Falcão), o Brasil sucumbiu, porque o futebol é um esporte essencialmente coletivo – para Zico foi uma grande injustiça, mas para Paolo Rossi foi mais que justo. PS2: o jogo de hoje deveria ser no Pacaembu e não na Vila. Seria um espetáculo, mas o Santos preferiu pensar pequeno, uma pena.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Fumaça e C02
Sobre a erupção do tal vulcão na Islândia e o estrago que está provocando nos aeroportos europeus, fica a constatação da imensa fragilidade da vida humana na Terra, e isso tem pouco a ver com o discurso ecológico corrente, que se baseia na crença de que o homem está destruindo a si mesmo, quando não o próprio planeta. A verdade é que nossas ações - boas ou más - ainda não são determinantes. No fundo, todas aquelas previsões apocalípticas e cafonas do fim do mundo, por mais absurdas, tocam na questão – houvesse mais erupções, ou se elas fossem mais extensas e duradoras, e no mínimo haveria de cara um caos econômico generalizado, mas se o clima sofresse uma alteração mais radical por causa da fumaça, impedindo parte que fosse da chegada dos raios solares à superfície, já era - não possuímos tecnologia para reverter o processo, e tampouco para sobreviver no seu decorrer a médio e longo prazo. Isso já aconteceu algumas vezes na história do planeta, bem antes do surgimento de nossa espécie, e em circunstâncias bem mais radicais - mas para extinguir a civilização que a humanidade construiu, não é preciso que o grau da mudança seja tão grande, basta um sopro. Mas o fim não virá por causa da nossa emissão de carbono.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Young Beethoven
Gosto muito da primeira fase de Beethoven, especialmente a música de câmara do período (1792 a 1802). Nesta primeira fase, Beethoven tentava se aproximar e ao mesmo tempo superar a música de Mozart, que tinha acabado de morrer e era seu ídolo. Como o alemão já era um gênio mesmo antes de encontrar inteiramente sua própria voz, é como ouvir um Mozart - ao menos na música de câmara - que pudesse ter vivido por mais uns dez ou doze anos, algo maravilhoso. Não que soe como uma cópia, é que esta evocação se dá num nível altíssimo, e mais do que simples evocação, percebe-se um tipo de diálogo entre as duas obras - Beethoven já tinha conseguido o mais difícil, que era criar uma música à altura da de Mozart, por inacreditável que fosse. É fascinante, e nem sempre devidamente valorizado pela crítica especializada, que prefere - não sem razão - exaltar o muito que estava por vir.
Sonata para piano e violino nº 5, Op. 24, com os solistas Henryk Szeryng (violino) e Arthur Rubinstein (piano).
1º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=mAcWGVC4Nqc&feature=fvsr
2º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=cmuNr7yqapE&feature=related
3º e 4º Movs: http://www.youtube.com/watch?v=O5zh1OLgZDc&feature=related
Concerto para piano nº 3, em Dó menor, Op. 21, com Artur Rubinstein (só no primeiro movimento).
1º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=FetACZlj0_0&feature=related
2º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=wS43offEZQE
3º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=s8lDnXgRvkI&feature=related
Trio nº 3 em Dó Menor Op. 1
1º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=wY-s2R4zqiQ&feature=related
Sonata para piano e violino nº 5, Op. 24, com os solistas Henryk Szeryng (violino) e Arthur Rubinstein (piano).
1º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=mAcWGVC4Nqc&feature=fvsr
2º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=cmuNr7yqapE&feature=related
3º e 4º Movs: http://www.youtube.com/watch?v=O5zh1OLgZDc&feature=related
Concerto para piano nº 3, em Dó menor, Op. 21, com Artur Rubinstein (só no primeiro movimento).
1º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=FetACZlj0_0&feature=related
2º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=wS43offEZQE
3º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=s8lDnXgRvkI&feature=related
Trio nº 3 em Dó Menor Op. 1
1º Mov: http://www.youtube.com/watch?v=wY-s2R4zqiQ&feature=related
Haja
O que não falta é gente de classe média alta gritando que existe vida inteligente e interessante na periferia, como se o normal fosse não ter, ou como se o esperado seria que ninguém que não fosse pobre pudesse conceber tal realidade, a não ser alguns iluminados - os que gritam, claro. Não raro, costumam apontar dedos acusatórios contra as injustiças sociais. Aliás, esse raciocínio não se limita à periferia propriamente dita. No filme Edifício Master, por exemplo, um Eduardo Coutinho com cara de supreso nos mostra a riqueza e complexidade da vida de algumas pessoas de classe média baixa de Copacabana, como se essa complexidade tivesse de soar uma revelação para o espectador das classes médias mais altas. Para mim, trata-se de preconceito puro e simples - e bem mais com os pobres do que com "ricos". Agora, por exemplo, leio que duas publicitárias, que estão lançando um documentário sobre a periferia de SP, teriam se encantado com a 'rede de solidariedade' constatada nos bairros, baseada na ajuda mútua que acontece não só entre pessoas da mesma família, mas também entre vizinhos, realidade muito diferente da dos bairros dos 'incluídos', em que estes geralmente mal se cumprimentam etc. e tal. Sim, é uma atitude que inspira admiração, mas que na prática só existe porque as dificuldades extras do dia a dia assim o exigem, como nas guerras. No fundo, nenhuma novidade nisso - a humanidade gera o bem e o mal de modo heterogêneo, e às vezes simultâneo, no tempo e no espaço. O ideal é que a precariedade material dos que vivem na periferia diminua até deixar de existir, e estas pessoas possam ser amigas de vizinhos não por necessidade, mas por vontade, afinidade, enfim, por opção individual. Mas para que isso aconteça é preciso fazer mais do que eleger governos populistas, que só usam a questão social em causa própria e não ajudam a promover o desenvolvimento. O que me irrita nisso tudo é a impressão de que os que se mostram tão encantados com a luta diária da população pobre parecem preferir, mesmo que inconscientemente, que pouco ou nada mude para eles, e assim se preserva ad eternum esta admiração - são os reaças do 'bem'. É a mesma linha dos que - como Ariano Suassuna - desejam que a literatura de cordel dure para sempre. Bom, se a vida daqueles artistas melhorar, talvez esta forma de arte acabe, talvez não, mas seria egoísta e absurdo preferir que eles não tenham outras opções de vida, que por sua vez podem proporcionar diferentes opções estéticas. Parece óbvio e é.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Telê
Ainda na década de setenta, o pai de um amigo meu, que não gostava muito de futebol, costumava responder, diante de nossa insistência de criança de perguntar qual era afinal o seu time do coração, que ele torcia para o time que estivesse sendo dirigido por Aymoré Moreira, nome que não significava quase nada para nós, ainda que tivesse sido o técnico campeão do mundo pelo Brasil, em 1962. Ainda estava em atividade naquela época, mas já em processo de aposentadoria (pesquisando agora, vejo que ele estava dirigindo a boa Ferroviária de 1977!). Nunca me esqueci disso, até porque aquela admiração me fascinava e intrigava. No fundo, por um bom tempo eu fiz o mesmo em relação ao grande Telê Santana.
Sebald e Bolaño mais tarde
Em outro post, com mais tempo, vou tentar mostrar por que a obra de W. G. Sebald foi uma revolução na literatura do século 20 para o 21, e sua morte prematura tão lamentável. E, incrivelmente, o mesmo se pode dizer de Roberto Bolaño, mesmo sendo estilos tão diversos, quase antagônicos.
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