domingo, 3 de janeiro de 2010

Frescobol

Millor que me desculpe, mas o frescobol deveria obedecer a uma pré-condição para poder ser jogado na praia numa boa: que ela não esteja cheia, ou muito menos apinhada de gente. Porque imaginar que vc pode levar uma bolada em qualquer lugar do corpo não ajuda a relaxar, e supostamente vamos a praia mais pra isso. Fico achando esse povo um bando de malas. As praias do Rio a que ele está acostumado - onde parece que inventou a coisa - mesmo tendo perdido uma parte considerável de areia, ainda são bem mais largas que a média nacional. Mas eu não estava lá, o que é uma pena pra mim - nem tanto nessa época do ano. Devo confessar que mesmo nas praias desertas acho esse esporte chato. Aliás em qualquer lugar. Viva os esportes vulgares com pontuação!! PS: durante meu tempinho na praia, cismei que um cabeludo quarentão iria me incomodar de alguma forma. Demorou um pouco, mas aconteceu: o sujeito começou a jogar frescobol todos os finais de tarde, de um jeito frenético, e até na água (!), perto de mim em qualquer circunstância... PS2 fica para um próximo verão comentar o grau de falta de civilidade de gente que leva à praia cachorros e outros animaizinhos.

Cuidado com os telejornais

Elogiei abaixo uma estação de rádio, então me chegaram do nada lembranças recentes de dois telejornais da TV aberta. É que não tenho podido acompanhar o Jornal Nacional, mas estou livre entre as 19h e 20h, aí a tentação é grande de ligar num noticiário. Mas é preciso ter um tipo de tolerância que acho que já perdi. Voltando às lembranças, um é produzido pela TV Gazeta, outro pela TV Bandeirantes. Tenho ou tinha simpatia por ambas as emissoras, principalmente por alguns programas saudosos e bem feitos que já saíram de lá, e às vezes ainda saem, mas seus telejornais... O Jornal da Gazeta produziu por quase 20 anos talvez o pior telejornal do Ocidente, com seus apresentadores sofríveis fazendo humor involuntário quase o tempo todo. Os comentaristas, com a boa exceção de Mauro Chaves, são de dar nos nervos, isso quando tb não provocam gargalhadas. As reportagens são inacreditáveis de ruins, com textos abaixo da crítica, abordagens equivocadas etc. A pauta, por sua vez, não ajuda muito... Bom, mas ele reinava praticamente sozinho no quesito ruindade, até que a Bandeirantes, há coisa de alguns anos, mudasse todo seu jornalismo na TV para colocar no ar, com alterações pontuais, o que se pode ver nesse atual formato do Jornal da Band, que está conseguindo superar a rival em todos os aspectos. O pior é que nesse telejornal não dá para rir, e é triste tb pela postura chapa-branca - além, claro, da ruindade geral dos repórteres, apresentadores, pauta, texto, tudo. Enfim, a concorrência é sempre bem-vinda e o Jornal da Gazeta terá de correr atrás para recuperar o posto, hehe

Rádio boa

Falando em estrada, já meio perto de SP, sintonizamos meio por acaso a rádio Sulamérica (FM 92.1), uma estação especializada no trânsito de São Paulo. Ontem noticiava a situação nas estradas, com boletins curtos e precisos, e programação musical entre eles. Foi uma boa surpresa notar que os repórteres se comunicam bem, se expressam bem, são fluentes e articulados (no bom sentido), algo que deveria ser trivial, mas não é. O âncora tb manda bem, com postura crítica no ponto, sem exagerar ou fazer média, enfim, fala coisa com coisa. E a seleção musical tb estava ótima. Incrível isso.

Democracia à brasileira

Na volta para SP, nos pontos de congestionamento, carros novos e velhos passando a toda pelo acostamento. Nisso o Brasil é bem democrático - o respeito ao direito de burlar continua sagrado... Argh.

Comments - agora pra valer

Sem saber, tinha deixado o blog na configuração em que só usuários do Gmail podiam deixar comentários - o que seria absurdo, mas já estava salvo assim desde o início e eu não tinha me tocado até agora. E pena que os eventuais comentários que chegaram foram perdidos. Mas agora alterei e está resolvido. Pelo menos posso fantasiar que foram dezenas, centenas, milhares hahaha! PS: Flávia, por favor, mande de novo seu comment, ok? Feliz 2010!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Grande

Não gosto da expressão da hora 'fulano é o cara', 'beltrano é o cara', mas me deu vontade de usá-la agora para falar de Albert Einstein. Ele foi, sem dúvida, 'o cara' do século 20, talvez 'o cara' de todos os tempos. Mesmo em relação ao post abaixo das inevitáveis derrapadelas dos gênios - que são seres humanos e escorregam mesmo (na vida pessoal então...) é difícil encontrar alguma falha em sua obra. E que obra... Senão vejamos: sua constante cosmológica, tão ridicularizada no início, não só passou a ser levada a sério nos últimos 10, 15 anos, como tem recentemente rendido prêmios Nobels a alguns físicos que o estão estudando e comprovando sua existência (não tenho os nomes agora, mas depois localizo e posto); sua relutância/aversão em relação à mecânica quântica (mais pelos seus desdobramentos) tem se demostrado perspicaz, e na prática inatacável. E quanto a suas obras-primas - relatividade especial, relatividade geral, efeito fotoelétrico, artigos fundadores da cosmologia etc etc, elas formam um conjunto de criações/descobertas que beiram o absurdo ao sabermos que tudo foi gerado por uma única cabeça - acho que Einstein é o Shakespeare da física hehe. Além de tudo, e apesar de não criar nada do vácuo porque isso, claro, não existe (nem para ele), Einstein foi capaz de conceber suas teorias literalmente só, sem colegas, sem equipe, sem nada, contrariando os clichês mais arraigados do 'trabalho em equipe', "ninguém faz nada sozinho" etc. Por tudo isso, um sujeito como ele deveria dar a qualquer um orgulho de sermos seres humanos, além de um certo alívio, já que a mesma humanidade tb nos legou Hitlers e Stalins... Viva o grande suíço/alemão!

Soft

Voltando à música, ou melhor, a alguns gênios da música, me ocorre que mesmo entre eles, há obras que deixam a desejar. Mesmo nos melhores casos, ao menos parte delas - alguns movimentos, inteiros ou parte deles - mesmo que ínfima, soa forçado. E acredito que isso é fato para todos os grandes compositores, sem exceção - o que inclui até mesmo Bach, o deus maior da nossa música. E claro, se estende tb aos grandes mestres de todas artes, de Michelangelo a Truffaut. Tendemos a ignorar, ou melhor, a abstrair a ruindade deles (neles), quando ela aparece. Mas não é diferente em relação aos nossos amigos e familiares, o que para mim não era tão claro até hoje. Isso deveria soar bem, mas não me soa - o fato de que, quando convém, julgamos tudo e todos pelo que fazem de melhor, deixando o pior descansando no armário. Somos só aparentemente implacáveis, porque só assim conseguimos sobreviver.

Serviços em SP e Freud

Falando em cerveja, me vem à cabeça o nível dos serviços em bares e restaurante em SP, que merece uma consideração. Para mim, atendimento bom acontece em lugares - simples ou requintados - onde sentimos que o garçom está 'com a gente', satisfeito em nos atender, sem subserviência, mas satisfeito. Naqueles em que o atendimento é blasé ou antipático, a pessoa trai um certo mal estar de simplesmente trabalhar no ramo. Aí não dá, é o caso de mudar de profissão, e a eventual beleza física do fulano(a) não altera isso em nada. E se essa pessoa não tem a iniciativa de pedir o boné, que os donos destes estabelecimentos o façam por ela.

Por uma cerveja menos choca em 2010

Não sei bem por que, mas em São Paulo, as cervejas nacionais (Brahma, Antarctica, Bohemia, Kaiser etc) são piores que em outras capitais ou estados. É só comparar uma brahma que se bebe no Rio ou no Espírito Santo, por exemplo, com as daqui - talvez seja a diferença da qualidade da água, não sei, o fato é que em SP o sabor das cervas é incomparavelmente pior, mas é mais que isso, porque não dá sequer para beber, diferente de lá, em que a bebida desce bem legal, quase como na propaganda. De minha parte já desisti, e esse tem sido o lado bom da coisa - quase não bebo mais cerveja. Além da possível explicação da água, o desleixo com que se serve cervejas nos botecos de SP tb pode explicar o gosto horrível - em 90% (talvez 99%) deles ela está irremediavelmente choca, o caminho certo seria o lixo ou a pia, mas eles a servem para a gente... que na maioria das vezes, nunca reclama, talvez por nunca ter viajado ou pedido cerveja nos lugares que descrevi, o que é uma pena, mas ajuda a entender a situação.

Romantismo - um problema

O que me incomoda no Romantismo - falando de música - é um tipo de literatice que virou moda na época, possivelmente a partir do romantismo alemão. É aquele tipo de 'interpretação' do mundo em que uma composição passa a ter que ter um 'tema', uma inspiração 'oficial'. Então a música ganha título e até um enredo, como se fosse um romance ou um tipo de ópera, e o ouvinte deve limitar sua imaginação àquela realidade, o que me soa impositivo e chato. Beethoven já insinuava, mas, por sorte, acabou não dando tanta bola para a coisa, mas a geração seguinte, com exceção de Schubert, Chopin, Mendelssohn e Brahms (exceções bem representativas, tenho de admitir...). Para exemplificar, cito o caso de Lizt, com seus poemas sinfônicos. Wagner estaria no meio do caminho, já Robert Schumann foi capturado, mas o fato é que muitas vezes, a música é tão bela e celestial que o que critico aqui fica em segundo plano, ainda bem, pois a grande música é capaz de superar até as tolices de seus criadores - eu tb incluiria Mussorgsky e Tchaikovsky nessa lista. Depois pretendo voltar ao assunto.