sexta-feira, 4 de junho de 2010
Infância: pau pra toda obra
Incrível como tem clichês evidentes que parecem não intimidar certa intelligentsia. Há pouco, em uma entrevista na revista Bravo, um conhecido escritor inglês repete a ladainha de que passou a escrever “depois de ter realizado que nunca mais teria sua infância de volta” etc e tal. É um clichê freudiano repetido como verdade absoluta, mas o ponto nem seria esse. Se perder a infância é um trauma tão acachapante, deveria ser assim para todos - para o arquiteto, enfermeira, cineasta etc. etc. Mas é engraçado notar que são os escritores os que mais reivindicam e se apegam a esse clichê para se justificarem como artistas. Essa atitude talvez diga algo sobre a natureza do ofício.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Beethoven/Tolstói
A abertura da sonata para violino e piano nº 9, em Lá maior, op. 47, também conhecida como sonata Kreutzer, é mais uma daquelas criações que só um compositor monstruosamente genial poderia conceber. Chega a dar angústia, de tão sinistra e enigmática - Beethoven da segunda fase na veia. http://www.youtube.com/watch?v=mixnMzHUYxA
Noto que o tema começa em tonalidade maior, mas o magistral acorde incial do piano é menor. Tolstói escreveu uma novela elogiada com esse nome ("A Sonata de Kreutzer"), que não li. Só mesmo Tolstói para se arriscar tanto, mas ele podia.
Noto que o tema começa em tonalidade maior, mas o magistral acorde incial do piano é menor. Tolstói escreveu uma novela elogiada com esse nome ("A Sonata de Kreutzer"), que não li. Só mesmo Tolstói para se arriscar tanto, mas ele podia.
A surpresa da Copa será a seleção dos Estados Unidos
Uns dias atrás, recebi de uma drogaria uma tabela da Copa muito bem feita, que estava pedindo para ser preenchida. Hoje tive um tempinho e cometi minhas previsões. Para minha surpresa, feitos os chutes, a seleção dos Estados Unidos aparece nas semifinais! Isso, caso os americanos consigam eliminar a Argentina, nas quartas - o que, por sua vez, seria uma pena, porque esse time de Maradona promete um grande futebol. De qualquer forma, os EUA chegarem a uma quarta de final de Copa do Mundo já se configuraria uma bela zebra. Eis os confrontos: Inglaterra (vencedor do jogo 57) X Estados Unidos (vencedor jogo 58) e Holanda (vencedor jogo 59) X Espanha (vencedor jogo 60). O campeão? Inglaterra, na prorrogação, em final histórica contra a Holanda!
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Fear 2
Outra coisa recorrente é a crítica de muitos jornalistas aos blogs em geral. Estes tenderiam quase sempre à inconseqüência enfezadinha, ressentida, amargurada etc. Soa como pura reação, medo mesmo – é claro que uma fração imensa de tudo que está na rede é bem duvidosa, mas mesmo que só 0,01% de tudo prestasse (e é mais que isso), não seria pouco. Anyway, como se trata de um processo irreversível, as queixas são pura perda de tempo.
Fear
Não é de hoje que leio blogs de escritores. Alguns deles, além da literatura, acabam desembocando no teatro, por isso também tenho lido alguns de atores e encenadores. Boa parte dessas pessoas vive e trabalha em São Paulo. Inevitável constatar que, se tem alguma coisa comum a todos, é o elogio recíproco dos trabalhos de cada um. Basta o artista ter um mínimo de projeção que... é elogio pra cá, elogio pra lá, desanimador. A regra parece ser “você me elogia que eu elogio vc depois”. Na blogsfera teatral, toda estréia de algum amigo é louvada, na literária, os lançamentos dos brothers são sempre fundamentais. Salve a amizade! Fica implícito que a justificativa para isso seria justamente a precariedade da cena literária e teatral no Brasil – “Precisamos uns dos outros para sobreviver”, esse tipo de coisa. Convenhamos, se a desculpa for essa, é muito fraca e não convence (até porque, muitos destes artistas se dizem iconoclastas, é a piada pronta). Ao mesmo tempo, soa como um tipo de tentativa de manter o clubinho quase fechado, já que a louvação é restrita a quem já possui uma “obra”, por mais limitada que esta possa ser. Não se trata de querer que um detone o outro, mas é como se fosse proibido um artista X não gostar da obra do colega Y, porque isso significaria romper com Y. É tacanho, ainda mais quando se trata de criadores, de arte.
Esclarecimento
Turista é o "viajante" sem afetação. É aquela pessoa realista, que não tem a tola presunção de se integrar a nada. Não quer fazer parte da paisagem, por isso a registra, em fotos. Viva os turistas!
Jules e Jim
Rever filmes de que gostamos, amamos, é um perigo mesmo. Revi há pouco na TV Jules e Jim (1962) e me decepcionei – quase tudo me pareceu afetado (os diálogos, aquela narração...), e os personagens, falsos. Mas quando o assisti, em 1997, fiquei profundamente tocado. A trilha, no entanto, continua belíssima. De qualquer forma, muito esperta a idéia de Truffaut de fazer um filme da nouvelle vague ambientado na Belle Époque. E a impactante cena final não envelheceu, o que talvez explique a permanência do filme. Mas não a justifica.
domingo, 23 de maio de 2010
Hard work
Como são chatas e irritantes todas essas reportagens na tevê sobre a Copa do Mundo. Ainda faltam quase três semanas para o início do evento, a lista dos 23 jogadores já saiu, e, se ninguém se machucar, não vai acontecer rigorosamente NADA até lá. A tal preparação - se é que isso existe – não se presta a ser transmitida, e é deprimente - e principalmente entediante – ver bons e maus repórteres tentando repercutir o nada. Imagino o quanto essa época deve ser insuportável para quem não gosta de futebol, se quase já é para mim, que gosto da coisa.
Os iluminados
Esse case Lula/Amorim/Irã é inacreditável. Como disse recentemente o embaixador Luiz Felipe Lampreia, se o Irã conseguir a bomba, a consequência mais óbvia - e imediata - é provocar uma corrida nuclear nunca vista naquela região, a começar pelo... Iraque!, passando pelo Oriente Médio, claro - um cenário sombrio, que tornaria a paz ainda mais distante. É simples assim, mas nossos gênios argumentam que se trata do oposto. Argh.
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