terça-feira, 11 de maio de 2010
Volta precoce
Neimar e Ganso não foram afinal convocados por Dunga. Já não sou de torcer muito para o Brasil em Copas, principalmente pela histeria imbecil que domina o país nessa época – além de não suportar os paraquedistas que não gostam de futebol, mas se sentem na obrigação de acompanhar os jogos e torcer, torcer urrando, berrando... Por isso, sem os dois craques dos Santos, desta vez minha torcida é que esta seleção seja eliminada logo na primeira fase. Seria sensacional!!
Los amigos
Crítica de cinema na imprensa brasileira é muito condescendente com os filmes nacionais. Isso inclui os bons críticos (que são bem poucos). Dos brasileiros, só têm coragem de classificar de péssimo os filmes da Xuxa, mas o fato é que não só os dela podem ser horríveis, a lixeira é muito maior. E não só os lixos – os tidos como ótimos na maioria das vezes são só regulares, os bons, ruins, os regulares, muito fracos, e os ruins, horrendos. É um desserviço aos leitores e uma referência perigosa para os jovens leitores, que um dia podem aspirar a uma carreira no cinema. Depois ainda tem gente que não entende por que os jornais vendem cada vez menos. Alguns sites como o Contracampo e Cineplayers são mais rigorosos, mas infelizmente ainda pouco lidos.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Equívoco
Para fazer propaganda do programa 'Lá e Cá', da TV Cultura, está sendo veiculada na rádio Cultura FM uma peça publicitária bizarra, que não faz jus à excelência da emissora. O texto do locutor nos lembra que o ambíguo sentimento que está por trás das tradicionais piadas de portugueses feitas por brasileiros, e vice-versa - que flertam abertamente com o preconceito - estaria com os dias contados – tipo, "comece a assistir Lá e Cá que isso vai mudar", como se fosse uma loção anticaspa. É inacreditável, porque é o que parece: a Cultura considera que todos os seus ouvintes são, a priori, preconceituosos, por isso recomenda com naturalidade um programa de tevê que, muito humildemente, vai iluminar a todos e acabar com esse sórdido sentimento. Como o programa também será (ou está sendo) exibido em Portugal, me pergunto se nossos co-irmãos receberam uma chamada semelhante. Não resisto ao clichê: esta postura é a melhor piada sobre o tema nos últimos anos.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Avanti
Do alto de seus 254 anos, Wolfgang Amadeus Mozart, bom corintiano que é, lamenta a eliminação precoce do Timão na Libertadores, e, para amenizar e refletir a frustração, recomenda aos fiéis seu concerto para piano número 20, em Ré menor, K 466. Sábias palavras!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Flanar
Dependendo do bairro, o ato de caminhar em São Paulo, com suas calçadas estreitas, é cada vez mais aborrecido. Parece uma extensão de dirigir automóveis, principalmente se for na hora do rush, e ele existe também para pedestres – no meu, é na hora do almoço (12h às 14h) e final da tarde (17h às 19h). Além das bancas de jornal e ambulantes a diminuir o espaço já exíguo, tem sempre apressadinhos mal educados que forçam a “ultrapassagem”, ciclistas bem crescidinhos que invadem as calçadas - como se isso fosse natural -, tem o pessoal da 'firma' voltando ou indo para o almoço e fechando a passagem, ou os que levam o cachorro para passar com aquelas coleiras elásticas, o que resulta no mesmo. Sem contar as paradas obrigatórias nos sinais de trânsito, que nos fazem parecer carros, argh. Enfim, não se pode simplesmente andar devagar e pensar na vida, mas também não se pode estar com pressa - nem com educação. E olha que andar é uma das coisas mais livres e bacanas que se pode fazer na vida. E é de graça. Ou era.
Hipocrisia
Leio na Folha de S. Paulo de hoje uma notinha de Tostão atacando a TV Globo. O colunista ridicularizava a transmissão de Barcelona X Inter de Milão, na quarta-feira passada, jogo que definiu um dos finalistas da Champions League. Ainda hoje, criticar a Globo é praticamente um esporte no Brasil, e, se isso parecer ter diminuído, foi porque praticamente as críticas todas têm se concentrado no locutor Galvão Bueno (e em Pedro Bial). Não gosto das patriotices de Galvão, mas negar seu talento de narrador e a rapidez e inteligência para enxergar o que acontece nos jogos é injusto, mas, de fato, muito popular. Tostão jogou para arquibancada, portanto, além de se mostrar um hipócrita. É que a Globo tb entrou nas transmissões da Champions League. Enquanto a ESPN era a detentora exclusivíssima de todos os jogos – e por muitos anos foi assim - nenhuma palavra do ex-jogador contra o monopólio que excluía a tevê aberta, e por consegüinte, o povão das grandes partidas do nobre torneio. Aliás, nenhuma palavra contra a agressividade do canal americano, que parecia disposto a monopolizar até o direito de transmissão de casados e solteiros pelo mundo. Quando finalmente a tevê aberta passou a exibir ao menos um jogo por semana (atualmente são dois, nos canais Gazeta/Esporte Interativo e Bandeirantes), a qualidade sofrível dessas transmissões (que assim permanecem) nunca mereceu, que eu saiba, alguma crítica de Tostão. O problema, óbvio, é a Globo ter entrado na parada. O pior é que se tratou de uma crítica injusta, que usa o truque de achar que qualquer ataque a Galvão passa bem: Tostão acusou Galvão de desconhecer os jogadores e confundir seus nomes, enfim, de ser um paraquedista qualquer, que não estaria a altura da transmissão do torneio, quanta heresia... Acontece - e eu acompanhei - que a escalação do Barça foi divulgada com dois erros em TODAS as tevês (inclusive na ESPN), por isso a equipe da Globo teve que tentar acertar um ou dois nomes ao vivo, e pelo visual dos jogadores, o que foi feito, rapidamente, e sem maiores problemas. Galvão torceu descaradamente para a Inter, em função dos jogadores brasileiros que fazem parte da seleção de Dunga? Sim, e isso poderia merecer críticas, mas distorcer as coisas para agradar amigos e posar de crítico rigoroso é desonesto. E, pelas circunstâncias, hipócrita, sim.
Cor X Fla e Freud
Hoje à noite, seja qual for o resultado do superclássico Corinthians X Flamengo, no Pacaembu, haverá muita comemoração de anticorintianos ou anti-rubro-negros, no Rio e São Paulo, com direito a fogos, gritos e etc. Freud explicaria com facilidade. É que os dois clubes possuem, disparado, as duas maiores torcidas do Brasil, e isso sempre causou um certo mal-estar nos rivais menos “dotados” de cada um nas duas cidades. É isso. Não é que seja inveja do pênis, é a inveja do pênis maior. Hehe! PS: que avance na Libertadores o melhor, e se possível, que hoje o melhor seja o Corinthians!
terça-feira, 4 de maio de 2010
Proust tradutor
A minibiografia de Edmund White sobre Proust, quando não foca apenas o lado gay do grande escritor (e tenta mostrar que praticamente todas as grandes personagens femininas de 'Em Busca do do Tempo Perdido' eram na verdade rapazes, meio boring isso) é bem legal, e tem uma passagem deliciosa, que é entregar que Proust traduziu para o francês dois (!) livros de John Ruskin exclusivamente por meio de colas que sua mãe e uma amiga inglesa de um primo lhe passavam, “palavra por palavra”. Ou seja, como ele não dominava nenhuma língua estrangeira – apesar de não ser monoglota – nem tentou se dar ao trabalho de ler sequer uma palavra do original, mas, segundo White, foi capaz de transformar as colas num francês fluente e belo. Sobre isso, li no bom blog Anos Loucos, que Proust, confrontado por um editor, se saiu com a seguinte resposta: "Não tenho a pretensão de saber inglês; eu reivindico saber Ruskin". Genial!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Campainhada
"As duas ou três vezes que me abriram/
A porta do salão onde está gente,/
Eu entrei, triste de mim, contente ---
E à entrada sempre me sorriram..."
Mário de Sá-Carneiro
O amor...
Herbert Vianna canta: “cuide bem do seu amor, seja quem for”, letra e música de sua autoria. Apesar das boas intenções de tentar louvar o amor, definitivamente não é das canções mais felizes que a MPB já conseguiu produzir. Pensando no refrão, pode-se dizer que Eva Braun até que tentou, mas falhou na empreitada hehe! Já Nadia Alliluyeva então... Má ou boa poesia também é questão de lógica.
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