sábado, 19 de dezembro de 2009

Voto de Minerva

Pelo que entendi há pouco, no JN, os seguintes países fizeram questão de rechaçar hoje qualquer decisão da recém finada Conferência do Clima, em Copenhagen: Venezuela, Sudão, Bolívia, Cuba e talvez mais alguma ditadura de que tenha me fugido o nome, mas que vale escrever em negrito. Na boa, depois disso, alguém precisa de mais alguma informação para se decidir de que 'lado' ficar? PS: não mencionaram, mas nesse grupo senti falta da Líbia... pôxa, tendo ido à Dinamarca Hugo Chávez, Lula, Evo Morales, entre outros "líderes", por que não Muammar Kadafi?? hehe

Lutar?

As doenças graves nos chocam porque percebemos como somos frágeis, aí invocamos o destino etc, o que é justo e aceitável. Percebemos que, existindo doenças letais, nosso organismo precisa combatê-las o tempo todo, e é isso precisamente o que ele está programado para fazer e faz, ou tenta fazer, o tempo todo... Mas às vezes não dá, então... Bom, então morremos, o que é uma pena, mas morreríamos ou morreremos de qualquer forma, ou até por um ridículo acidente doméstico ou automobilístico, bem antes da hora etc. O que queria destacar aqui é que, mesmo enquanto dormimos, combatemos, por isso deve ser tão difícil - ainda que inconscientemente (atavicamente, for sure) - não lutar no nosso difícil ou fácil dia a dia, em nossa realidade objetiva. Isso soa como uma aberração, um tabu, um incesto, e talvez os seja, porque não lutar é ou seria um contra-senso. Ou nada disso. Voltarei ao assunto.

Villa jovem, folk, de Falla e rádio no celular

Sempre achei que não gostava muito de Villa-Lobos, mesmo sendo ele meu compatriota, que coisa né? Mas eis que, graças ao ótimo Gilberto Tinetti e idem seu programa Pianíssimo, na Cultura FM, na semana que homenageava o cinquentenário da morte do compositor, há um mês, tive acesso a uma peça extraordinária de Villa (vou procurar depois para citar, está arquivado no meu cel), composição de câmara ainda dos anos 1910. De arrepiar e pasme, até de me provocar orgulho, esse perigosíssimo sentimento que tanto estrago faz por aí. À época, o folclore não o intimidava, ou pelo menos ainda não dava as cartas em sua obra, alívio. Mas diga-se que essa praga não começou aqui no Brasil, claro que não. O grande Manuel de Falla, seu contemporâneo e um dos meus ídolos na adolescência, tb não resistiu a ela, ainda que isso não tenha causado maiores danos ao seu gênio e à sua obra, como acho que foi o caso com meu conterrâneo. PS: quero registrar que, depois de muitos anos (e sem rádio no carro porque cansei de ser roubado e não tinha nenhum até bem pouco tempo) o rádio acessível ao celular me fez voltar a ouvir este básico, belo e prosaico meio de comunicação (pena que só FM), e fico feliz de ter de nuevo Tinetti e idem o ótimo e querido Lourenção ao meu alcance (além da transmissão de futebol que invadiu as FMs, para o bem dos sem TV por assinatura como eu, demorou!), tks Nokia!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Fut

Essa é sobre futebol, e como meus dois únicos leitores - minha mãe e minha mulher - não gostam muito do assunto, provavelmente vou escrever só para mim mesmo, mas isso já me basta - acho que o espírito da coisa aqui é isso. Bom, passado mais um Brasileirão por pontos corridos, teria várias observações a fazer, mas estou com um pouco de preguiça, então vou me deter no que mais me irritou (gostei de várias outras coisas tb). Aquele discursinho dos "jornalistas especializados" (e que, claro, migrou para parte dos jogadores, tipo o Rogério Ceni, por exemplo) de que a última rodada deveria ser uma 'mera formalidade, pois tudo já deveria estar definido'. Tudo para tentar tapar a realidade de que, sim, alguns times entregaram o jogo para prejudicar outros, por rivalidades locais. Para começar, é preciso dizer que, por uma questão de lógica - matemática mesmo - a última rodada é tão importante quanto a primeira, certo? Claro que sim. Por acaso ela vale menos? Evidente que não. Então por que não seria lícito, justo, que o campeonato fosse decidido na última rodada? Aliás seria ótimo que fosse, e foi... Daí a importância de todos os jogos serem jogados com determinação e busca pela vitória, sempre. Eu me lembro que há dois anos, o Cruzeiro dependia de uma vitória atleticana contra o Palmeiras, em São Paulo, para se classificar para a pré Libertadores 2008. E o Palmeiras tb jogava com o mesmo objetivo - uma vitória simples contra o Galo e estaria dentro. E o Galo não jogava por nada, mas, dirigido por Leão, jogou a sério, derrotou o Palmeiras e o Cruzeiro foi à Libertadores. E Cruzeiro e Atlético não fazem uma das mairoes rivalidades entre clubes no Brasil? Ela teria ficado abalada depois do acontecido? Então qual o problema de o Grêmio jogar para valer contra o Mengo na última rodada? E o que dizer do Corinthians, meu time, contra o mesmo Flamengo, na penúltima - na prática a rodada que decidiu o título? Pois é, achei ridículo que os tais "especialistas", a pretexto de defender os pontos corridos, tenham então atentado contra a lógica e criado essa "tese" de que 'o que não se fez antes não se poderia exigir dos rivais que fizessem', etc. É uma grande asneira. O sistema de pontos corridos tem defeitos, mas é bacana e não precisa deste tipo de defesa, que é provinciana e imoral. O campeonato por pontos corridos está sujeito a tabelas que ajudam uns e atrapalham outros, mas se todos jogarem a sério, para vencer, até o fim, como na Europa, o tal problema da última rodada não existe. Simples assim. PS: depois volto para dizer o que penso dos jornalistas "especializados" que estão se especializando em fritar carreiras antes da hora ("ex-jogador em atividade" "só marketing" e outras pérolas), e neste ano de 2009 acabaram se especializando em quebrar deliciosamente as próprias caras. A ver.

Tempo

Não, não vou entrar nessa seara de refletir sobre o tempo. Pelo menos não agora. Só gostaria de saber como acertar o relógio deste blog, que indica sempre a hora errada, mesmo depois de supostamente acertado por mim. Meus dois ou três leitores (e claro que nessa estimativa incluo minha mulher e minha mãe!), por favor, me ajudem. PS: são 10h59 da manhã desta sexta-feira, vamos ver o que indica o relógio na postagem. Lá vai!

Mozart/Beethoven

Sempre achei que os musicólogos subestimam a diferença de idade entre esses dois grandes gênios da humanidade (não escrevo gênios 'da música' porque acho meio limitante, assim como acho bobagem dizer que Einstein, Kepler e Galileu são gênios 'da física', por exemplo. Idem para Platão, Shakespeare, Bach, Dante, Camões etc etc). E ela é bem pequena, já que Mozart nasceu em janeiro de 1756 e Beethoven em dezembro de 1770, ou seja, pouco menos de 15 anos. O fato de Mozart ter morrido aos 35 para 36, quando Beethoven estava para completar 21, talvez explique em parte essa omissão (lembremos tb que Mozart já compunha peças importantes desde muito cedo, e Beethoven não, então é como se a diferença de idade fosse maior). Beethoven ficou orfão de sua principal influência, mas isso talvez tenha sido essencial para que ele pudesse superá-la, o que de fato ele conseguiu, já que encontrou seu caminho e enriqueceu a história da música (mas afirmar por isso que o compositor alemão é superior ao austríaco acho precipitado, além de inútil). Até aí nada a questionar. O que me intriga, e acho, sim, um assunto subestimado pelos musicólogos sérios (talvez não se interessem porque seria mera especulação, mas que seja, e daí?!) é como poderia ter sido a carreira de Beethoven se Mozart tivesse tido uma vida menos curta, ou até longa para a época (vamos considerar a hipótese que Mozart vivesse até os seus 63 anos, 1819 portanto, apenas oito antes da morte de Beethoven). Aliás me intriga também (e até mais) o que Mozart teria criado, até onde teria chegado - se o romantismo que ele já insinuava predominaria etc, é fascinante conjecturar, não duvido que antecipasse o próprio dodecafonismo, hehe! Mas voltando ao gênio alemão. Ele teria conseguido criar o próprio estilo com a sombra do seu ídolo tão próxima (Viena) e por tanto tempo? Gostaria de ter lido um belo ensaio do grande Alfred Einstein sobre isso, mas acho que não rolou! Voltarei ao assunto, porque talvez em breve me arrisque a fazê-lo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Argh 4

Estou quase terminando de ver a sexta temporada da série The Shield - ótima dica do blog do Bortolotto, que se recupera bem, que bom. Fico pensando porque jamais teremos algo parecido no Br. Principalmente porque não conseguimos dirigir bons coadjuvantes - na série, até as portas e paredes atuam na medida, sem firulas; por aqui é uma piada, como bem o demonstrou "Os Filhos do Brasil" e aquela outra série sobre tráfico no Rio, exibido acho que pela Fox, não me lembro do nome, mas idem horrível. Mas, claro, não temos roteiristas, quer dizer, não temos uma indústria que produza quantidade suficiente para que a seleção natural aja... Bom, mas em pequenos países da Europa e Ásia e mesmo na AL tampouco existe essa abudância e mesmo assim às vezes conseguem algo digno de nota, pelo menos no cinema ("pelo menos" é engraçado, mas é que a TV já é capaz de fazer grandes coisas, não é mais o patinho feio, pelo menos não pra mim). Mas no Brasil, não mesmo, em TV ou cinema. E voltando à temática barra pesada de Shield, num país em que se mata 40 mil pessoas por ano, por baixo, mesmo sem "indústria" deveria chover roteiros abordando nossa violência de cada dia, no Rio, SP, BH, Recife ou qualquer lugar. Mas não, uma série como Shield costuma chocar nossos bons costumes, então nada feito, e os gatos pingados que encaram a coisa não tem know how, talento e competência para produzi-la a contento.

Argh 3

Aliás, tem tanta coisa fake por aí.. Esportes de Aventura, por exemplo, sempre me incomodou. Simulacros de perigo e adrenalina, tão autênticos que são reais.. porém falsos como nota de 3. E dá-lhe executivos(as) frustrados fazendo a linha super-homem (ou superwoman) em trilhas arriscadas, cheias de mosquitos, lutando contra o tempo... Uau! Não duvido que vire esporte olímpico, passando a perna no xadrez, como tantos 'esportes' já passaram, como o vôlei de praia (argh, o fut-vôlei ao menos seria uma escolha mais graciosa).

Argh 2

Não suporto essas passeatas anti-tudo nos paises ricos, com pseudo-violência por parte de manifestantes jovens e corados, contida com pseudo-força por policiais bem treinados e bem remunerados. Me soa tão falso...  Pra mim é meio que um simulacro das atitudes punks autênticas e corajosas que ficaram lá trás, bem longe. Um bando de filhinhos de papai querendo fazer o rebelde, com direito a fotos e vídeo para colocar nos porta-retratos da futura sala de alguma grande corporação, depois do MBA... Mas, claro, devem continuar tendo o direito de fazê-las, liberdade, sempre. Mas é uma papagaiada, isso é.

Argh

Sobre esse novo mensalão, agora envolvendo Legislativo e Executivo do Distrito Federal. As mobilizações contra o governo são corretas, mas me soam mal. A base de tudo são imagens, principalmente a do governador. Sem elas e ninguém se mobilizaria. É como se as investigações estivessem a reboque delas - sem imagem, nada feito, não há "provas". Me soa fascistóide porque é como se não precisássemos da Justiça, mas de celulares. E o pior é que os temos de sobra...